
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez na última terça-feira (24), o tradicional discurso do Estado da União em meio à queda de popularidade e à proximidade das eleições de meio de mandato, marcadas para novembro. Com duração de 1 hora e 48 minutos, a fala se tornou a mais longa já registrada e foi marcada por ameaças ao Irã, defesa do domínio estadunidense no hemisfério ocidental, confrontos sobre imigração e exaltação da economia. Pesquisas indicam risco de perda do controle do Congresso pelos republicanos, hoje maioria na Câmara e no Senado.
Na política externa, Trump voltou a acusar o Irã de buscar armas nucleares e disse que não permitirá o avanço do programa. “Nenhuma nação deve jamais duvidar da determinação da América. Temos as Forças Armadas mais poderosas da Terra”, afirmou. “Espero que raramente precisemos usá-las. Isso se chama paz por meio da força”.
O republicano declarou ainda que prefere a via diplomática, mas advertiu: “Como presidente, buscarei a paz sempre que possível, mas nunca hesitarei em enfrentar ameaças aos Estados Unidos onde for preciso”. Ele também afirmou que o país desenvolve mísseis capazes de atingir território estadunidense e relembrou ataques realizados em 2025.
O republicano destacou ainda a captura de Nicolás Maduro, descrita como “uma vitória colossal”, e disse trabalhar por um “novo começo para a população da Venezuela”. Segundo Trump, o objetivo é restaurar o domínio dos Estados Unidos no hemisfério ocidental e proteger interesses contra violência, drogas e interferência externa.
Trump afirma que o Irã está construindo mísseis que “em breve atingirão os Estados Unidos da América”, acrescentando: “Jamais permitirei que o maior patrocinador do terrorismo no mundo possua uma arma nuclear”.
— Direto da América (@DiretoDaAmerica) February 25, 2026
Ele também afirmou ter encerrado conflitos internacionais, comemorou o cessar-fogo na Faixa de Gaza e disse atuar para encerrar a guerra entre Rússia e Ucrânia.
A imigração gerou os momentos mais tensos. Trump voltou a associar imigrantes irregulares à criminalidade, citou casos de violência e defendeu leis mais rígidas, incluindo a chamada “Lei Dalilah”.
Em provocação à oposição, pediu que parlamentares favoráveis à prioridade para cidadãos estadunidenses se levantassem, o que levou a protestos democratas e a um bate-boca no plenário. Ao mesmo tempo, afirmou que o país continuará aberto à imigração legal. “Sempre permitiremos a entrada legal de pessoas que amem nosso país e trabalhem duro para mantê-lo”, disse.
Na economia, Trump abriu o discurso exaltando resultados do governo e criticando a gestão anterior. “Posso dizer, com dignidade e orgulho, que alcançamos uma transformação como ninguém jamais viu antes, uma virada que ficará para a história”, declarou. “É, de fato, uma virada histórica”.
O presidente estadunidense também atacou a decisão da Suprema Corte que derrubou tarifas comerciais e anunciou uma taxa global de 15% sobre importações, medida que, segundo ele, poderá substituir o imposto de renda e aliviar a carga tributária. A economia é considerada tema central para os eleitores, e pesquisas indicam aprovação de 39% à condução econômica do governo.