A fraude bilionária do Banco Master que terminou com dinheiro levado ao exterior

Atualizado em 25 de fevereiro de 2026 às 7:30
Fachada do Banco Master. Foto: reprodução

O Banco Master é acusado de ter se beneficiado de uma negociação considerada fraudulenta ao adquirir um precatório bilionário ligado ao Grupo João Santos, conglomerado que entrou em recuperação judicial. O ativo, um direito creditório da Companhia Agro Industrial de Goiana (Caig), dona da Usina Santa Tereza, foi vendido por menos de 20% do valor estimado e incorporado ao balanço do banco enquanto a instituição operava no mercado financeiro. Com informações do Estadão.

O caso ganhou repercussão após a revelação de que parte dos recursos obtidos com a venda foi enviada ao exterior em movimentações consideradas suspeitas por autoridades. O precatório tem origem em uma condenação da União a indenizar usinas do setor sucroalcooleiro por prejuízos causados por políticas de preços entre 1989 e 1994.

A União foi condenada a pagar R$ 983 milhões à usina pernambucana, valor que, atualizado, alcança cerca de R$ 2,2 bilhões. Mesmo assim, o Grupo João Santos recebeu aproximadamente R$ 180 milhões pela venda do crédito a fundos ligados ao Master entre 2019 e 2020.

Segundo documentos judiciais, os papéis passaram por uma cadeia de fundos até chegar ao banco de Daniel Vorcaro, que posteriormente foi liquidado pelo Banco Central após a identificação de fraudes em negociações com o Banco de Brasília.

Relatórios encaminhados à Polícia Federal indicam que ao menos R$ 32 milhões foram transferidos para empresas na Suíça e outros R$ 75 milhões enviados a contas de familiares ligados ao antigo controlador do grupo, Fernando Santos. As operações são investigadas por suspeita de lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Em setembro de 2025, a Justiça Federal de Pernambuco reconheceu fraude na venda do precatório e bloqueou o ativo, decisão confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região. Segundo a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, a transferência ocorreu “num claro intuito de evitar o pagamento de dívidas fiscais”, já que o grupo possuía débitos bilionários com a União.

Prédio do Grupo João Santos. Foto: reprodução

O precatório agora permanece em um impasse jurídico, após a atual gestão do Grupo João Santos pedir a nulidade da venda por considerar que o ativo foi transferido por valor irrisório e esvaziou o patrimônio da empresa. O Banco Master sustenta que a aquisição ocorreu dentro dos parâmetros de mercado, alegando que o crédito era de difícil recebimento e ainda estava sob disputa judicial.

O antigo controlador do grupo também defendeu a negociação. “Na época, foi apresentada proposta para aquisição parcial do direito creditório pelo então Banco Máxima, depois convertido no Banco Master, tendo o negócio sido realizado nos parâmetros de mercado, levando em conta a situação do processo naquele momento, mediante instrumentos públicos de cessão”, afirmou Fernando Santos.

A atual diretoria do conglomerado afirma que a operação foi decidida de forma isolada pela gestão anterior e causou prejuízo estimado em R$ 1,8 bilhão. Segundo o advogado Gustavo Matos, “A atual diretoria está tomando as medidas judiciais cabíveis para recuperar o ativo desviado”.

O caso também envolve tentativas frustradas de revenda do precatório a outras instituições financeiras, barradas pela Justiça. Considerado um dos ativos mais relevantes do Master, o crédito pode ser utilizado para pagar credores durante o processo de liquidação do banco, enquanto a disputa judicial segue sem definição.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.