
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) decidiu reabrir a investigação contra o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) para apurar a prática de rachadinha em seu gabinete na Câmara Municipal. A retomada das diligências ocorreu após a cúpula da instituição identificar pontos que não teriam sido esclarecidos quando o caso foi arquivado em 2024. Promotores querem detalhar como o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL ) pagava despesas pessoais, incluindo plano de saúde, a compra de um apartamento em Copacabana e acessos frequentes a um cofre bancário.
De acordo com informações do Globo, o parecer da assessoria criminal da Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ) indicou inconsistências nos pagamentos do plano de saúde do ex-vereador. Segundo o documento, ao longo de nove anos de contratos apenas um boleto teria sido quitado por meio de sua conta bancária.
A PGJ sugeriu oficiar as operadoras para informar valores, formas de pagamento e responsáveis pelas quitações. Também chamou atenção a aquisição de um imóvel em Copacabana, em 2009, declarado por R$ 70 mil, valor considerado muito abaixo do mercado para a região na época.
Outro ponto destacado foi o acesso recorrente a um cofre bancário. De acordo com o parecer, o então vereador realizou “pelo menos um ou mais acessos por mês”, frequência considerada atípica pelos investigadores, já que o serviço costuma ser usado para guardar joias, documentos ou grandes quantias em dinheiro. A decisão de reabrir o caso ocorreu após a PGJ entender que o arquivamento anterior foi prematuro e que provas relevantes teriam sido desconsideradas.
O despacho que determinou a retomada afirma: “Determino o encaminhamento dos autos a Promotor de Justiça desimpedido para prosseguir oficiando no procedimento”.

Em nota, o MP informou que, “após período de análise, com parecer da Assessoria Criminal”, o procurador-geral Antonio José Campos Moreira considerou necessário o “prosseguimento das investigações” com diligências complementares, ressaltando a “inexistência de prerrogativa de foro em razão do cargo de vereador”.
As apurações também envolvem outros 25 investigados, incluindo ex-assessores e pessoas ligadas ao gabinete de Carluxo. Em 2024, o MP denunciou sete funcionários por desvio de recursos públicos por meio do fracionamento de salários, prática conhecida como rachadinha, com prejuízo estimado em R$ 1,7 milhão.
À época, o então chefe de gabinete Jorge Luiz Fernandes teria sido responsável por nomeações de servidores que repassariam parte dos vencimentos. A assessoria da PGJ agora considera “pertinente a realização de oitivas dos investigados, com o objetivo específico de indagá-los acerca do padrão de saques realizados após o recebimento de seus vencimentos”.
Carluxo renunciou ao mandato em dezembro, após sete mandatos consecutivos iniciados em 2000, para preparar candidatura ao Senado por Santa Catarina. Com a reabertura do caso, o Ministério Público pretende aprofundar a investigação sobre movimentações financeiras e eventuais vínculos com o esquema de desvio de salários no gabinete.