
A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (25) a Operação Vassalos para investigar suspeitas de desvios de recursos de emendas parlamentares e fraudes em licitações públicas. Entre os alvos estão o ex-senador e ex-ministro Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), que foi líder do governo Bolsonaro (PL) no Senado, e seu filho, o deputado federal Fernando Coelho Filho (União-PE). A ação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino e cumpre 42 mandados de busca e apreensão em Pernambuco, Bahia, São Paulo, Goiás e no Distrito Federal.
Segundo o Estadão, investigadores apontam para indícios da atuação de uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados que teria direcionado licitações para uma empresa ligada ao grupo.
Parte dos recursos obtidos nesses contratos seria utilizada para pagamento de vantagens indevidas e ocultação de patrimônio. Os contratos sob suspeita envolvem valores bilionários e estariam relacionados a repasses destinados ao município de Petrolina, berço político da família Bezerra Coelho e onde Miguel Coelho, outro filho do ex-senador, foi prefeito entre 2017 e 2022.
De acordo com a Polícia Federal, o objetivo da operação é apurar crimes como frustração do caráter competitivo de licitações, fraude em contratos, peculato, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
“A investigação aponta para existência de uma organização composta por agentes públicos e privados suspeita de desviar recursos públicos oriundos de emendas parlamentares, por meio do direcionamento de licitações para empresa vinculada ao grupo, com posterior utilização dos valores desviados no pagamento de vantagens indevidas e ocultação de patrimônio”, informou a PF em nota.

Quem são os Fernando Coelho
Fernando Bezerra Coelho e seu filho são integrantes de uma tradicional família política de Pernambuco, sendo que o pai exerceu diversos cargos ao longo da carreira. Foi eleito deputado federal pela primeira vez em 1987, durante a redemocratização, e chegou ao Senado em 2015. Entre 2011 e 2013, ocupou o Ministério da Integração Nacional no governo Dilma Rousseff (PT).
Após o impeachment, aproximou-se do MDB e integrou a base do governo Michel Temer, além de ter sido líder do governo Jair Bolsonaro no Senado. Seu filho Fernando Coelho Filho também ocupou cargos de destaque, incluindo o Ministério de Minas e Energia durante a gestão Temer.
As investigações apontam que as emendas parlamentares destinadas a Petrolina podem ter sido utilizadas como base para o esquema. A cidade concentra a influência política da família e também atividades empresariais ligadas ao grupo. A PF busca agora reunir provas sobre a destinação dos recursos e a eventual participação de servidores públicos e empresários nas irregularidades.
Foi em Petrolina também que uma emenda de R$ 22 milhões levantou a suspeita de financiar um empreendimento que atende diretamente aos interesses empresariais da família. Parte da obra passa por um terreno pertencente a uma empresa cujo sócio é irmão de Bezerra; a área foi parcialmente desapropriada, e o valor da indenização ainda está em negociação. A verba financiou 84% do projeto inicial, orçado em R$ 26 milhões.
A Operação Vassalos representa mais um capítulo das investigações sobre o uso de emendas parlamentares e o direcionamento de contratos públicos no país.
O Supremo Tribunal Federal acompanha o caso devido ao foro privilegiado de alguns dos investigados. Até o momento, não houve manifestação pública dos citados sobre as acusações, e as apurações seguem sob sigilo.