
Durante o segundo mandato de Romeu Zema (Novo), os gastos do governo de Minas Gerais com infraestrutura de combate aos impactos das chuvas caíram de cerca de R$ 135 milhões para R$ 6 milhões entre 2023 e 2025, segundo dados do Portal da Transparência estadual.
A redução ocorre enquanto temporais atingem cidades como Juiz de Fora e Ubá, deixando ao menos 36 mortos, 33 desaparecidos e 208 pessoas resgatadas com vida desde terça-feira. O levantamento do Globo considerou programas vinculados à Defesa Civil e ao Gabinete Militar, incluindo despesas classificadas como suporte às ações de combate e resposta aos danos causados pelas chuvas.
Em 2023, o estado pagou aproximadamente R$ 134,8 milhões para ações de prevenção, mitigação e resposta a desastres. O valor caiu para R$ 41,1 milhões em 2024 e para R$ 5,8 milhões em 2025. Nos dois primeiros meses deste ano, apenas R$ 16,1 mil haviam sido destinados à infraestrutura de combate aos temporais.
As rubricas incluem desde atendimento emergencial até reparos em rodovias e prevenção de eventos meteorológicos críticos. Dados do primeiro mandato do governador Romeu Zema, entre 2019 e 2022, não estão disponíveis no portal.
Após os desastres recentes, o vice-governador Mateus Simões (PSD) anunciou repasses emergenciais de R$ 38 milhões para Juiz de Fora e R$ 8 milhões para Ubá. O governo Zema também informou que equipes do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura serão enviadas para mapear áreas de risco, além da atuação de técnicos da Companhia de Saneamento Básico e envio de ajuda humanitária.
Mais uma vez, a tragédia anunciada se repete. Agora em Juiz de Fora, Minas Gerais.
Até o momento são 19 vítimas fatais e ao menos 440 pessoas desabrigadas depois das fortes chuvas. A cidade decretou estado de calamidade.
Toda a nossa solidariedade as famílias que perderam seus… pic.twitter.com/SsCA3uZDEz
— Glauber Braga (@Glauber_Braga) February 24, 2026
O bolsonarista relatou a mobilização das equipes de emergência: “Fiz questão de me deslocar até Juiz de Fora. Eu estava no Noroeste de Minas Gerais. Tão logo tomamos conhecimento da gravidade das ocorrências aqui, ainda de madrugada, determinei ao coronel Rezende, nosso chefe da Defesa Civil, que empenhasse todos os esforços possíveis no sentido de tentarmos salvar o maior número de pessoas”.
O governo federal reconheceu o estado de calamidade pública decretado pela prefeitura de Juiz de Fora. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou solidariedade às vítimas e informou que uma equipe da Força Nacional do Sistema Único de Saúde foi enviada para a região, enquanto a Defesa Civil Nacional atua em alerta máximo. Diante da previsão de novas chuvas, autoridades determinaram a evacuação completa de 24 ruas em quatro bairros da cidade, com retirada estimada de cerca de 600 famílias.
As áreas evacuadas incluem ruas dos bairros Três Moinhos, Vila Ideal, Esplanada e Paineiras, considerados de alto risco devido a deslizamentos e alagamentos. A Defesa Civil orientou moradores a deixarem imediatamente as residências para evitar novas tragédias. Especialistas alertam que a combinação de solo encharcado e previsão de mais precipitações aumenta a possibilidade de desmoronamentos.
A queda nos investimentos em prevenção e resposta a desastres climáticos ocorre em meio ao aumento da frequência de eventos extremos no país, o que reacende o debate sobre planejamento e infraestrutura para enfrentar as mudanças climáticas. Enquanto as equipes de resgate seguem mobilizadas, o estado enfrenta o desafio de reconstrução das áreas afetadas e assistência às famílias desalojadas.