
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, acertou com o senador Renan Calheiros que prestará depoimento à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado na próxima semana, após adiar a oitiva inicialmente prevista para esta semana. A tendência é que o depoimento ocorra em São Paulo, com possibilidade de participação presencial de senadores ou por videoconferência.
Segundo Lauro Jardim, do Globo, o foco da sessão será a atuação do Banco Central no processo de liquidação extrajudicial da instituição financeira.
A defesa de Vorcaro argumenta que sua ida a Brasília poderia submetê-lo a situações consideradas constrangedoras, como viajar em voo comercial algemado ou sob custódia da Polícia Federal. Por isso, foi negociada a realização da oitiva fora da capital federal. Outra alternativa avaliada é a realização do depoimento por vídeo, a fim de evitar exposição pública excessiva enquanto as investigações continuam em andamento.
O banqueiro havia optado anteriormente por não comparecer à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura fraudes no INSS. Segundo aliados, a decisão se deu pela falta de garantias de que o depoimento ficaria restrito aos contratos de empréstimos consignados do Banco Master suspensos pelo instituto.
A ausência foi respaldada por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, que entendeu que a presença de Vorcaro seria facultativa por ele figurar como investigado.

O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar, informou que a escolha teve como objetivo evitar maior desgaste público. Já o presidente da comissão, senador Carlos Viana, pretende solicitar ao STF nova data para o depoimento. Mesmo sem comparecer à CPMI, Vorcaro permanece sob investigação e pode ser convocado novamente, dependendo do andamento das apurações.
Daniel Vorcaro foi preso em novembro de 2025 durante operação da Polícia Federal que investiga fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
No mesmo dia, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição. As investigações apontam que o banco teria movimentado cerca de R$ 12 bilhões por meio da emissão irregular de Certificados de Depósito Bancário, considerado um dos maiores esquemas de manipulação financeira do setor bancário nacional.