Alvo da PF, clã Bezerra Coelho abandonou Dilma para apoiar Bolsonaro

Atualizado em 25 de fevereiro de 2026 às 15:26
Antonio Coelho, Fernando Bezerra Coelho Filho, Fernando Bezerra Coelho e Miguel Coelho. Foto: Reprodução

A família Bezerra Coelho, alvo de operação da Polícia Federal, consolidou ao longo das últimas décadas forte influência política em Petrolina, principal cidade do interior de Pernambuco. O grupo se tornou dominante no sertão do estado e ampliou sua projeção nacional, com atuação destacada em diferentes governos federais.

O patriarca Fernando Bezerra Coelho (MDB) iniciou a trajetória no Executivo estadual, como secretário no governo Eduardo Campos (2007-2010), e foi indicado em 2011 para o Ministério da Integração Nacional no governo Dilma Rousseff (PT). À frente da pasta, comandou obras como a transposição do rio São Francisco até 2013.

Fernando Bezerra Coelho na posse de Dilma, em 1º de janeiro de 2011. Foto: Ricardo Stuckert

Com o rompimento entre PSB e PT, deixou o ministério para apoiar a candidatura presidencial de Eduardo Campos em 2014. Em 2016, votou a favor do golpe de Dilma e passou a integrar a base de Michel Temer (MDB), tornando-se líder do governo no Senado e articulando pautas como a reforma trabalhista.

Fernando Bezerra, Fernando Filho, Michel Temer e Miguel Coelho. Foto: Carolina Antunes/PR

Durante o governo Jair Bolsonaro (PL), Fernando Bezerra voltou a ocupar a liderança do governo no Senado, entre 2019 e 2021, atuando como articulador no Nordeste. Em 2020, destinou R$ 175 milhões em emendas de relator para obras na Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) em Petrolina. Os repasses estão sob investigação por suspeita de direcionamento de licitações e possível pagamento de propina.

Fernando Bezerra Coelho e Jair Bolsonaro. Foto: Isac Nóbrega/PR

A influência da família também avançou no Executivo. Fernando Coelho Filho (União Brasil) foi ministro de Minas e Energia entre 2016 e 2018. Miguel Coelho (União) foi eleito prefeito de Petrolina em 2016, reeleito em 2020 e deixou o cargo em 2022 para disputar o governo estadual, ficando em terceiro lugar.

Desde que deixou o Senado, em 2023, Fernando Bezerra tem se dedicado à reorganização política do grupo. Para 2026, a estratégia inclui a reeleição de Fernando Coelho Filho à Câmara e a candidatura de Miguel Coelho ao Senado.

Miguel, atual presidente estadual do União Brasil, ainda não definiu qual palanque deve apoiar na disputa pelo governo de Pernambuco. A tendência, segundo interlocutores políticos, é de aproximação com o PSB, diante das críticas à gestão estadual e das conversas com o grupo do prefeito do Recife, João Campos.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.