
A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado do Senado aprovou a convocação de ex-ministros do governo Jair Bolsonaro (PL) para depor. Entre os chamados a depor estão Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, e Paulo Guedes, que comandou o Ministério da Economia.
Também foram convocados João Roma e Ronaldo Bento, ambos ex-ministros da Cidadania no governo anterior. Pela regra das CPIs, a convocação é obrigatória, salvo decisão judicial em sentido contrário. O objetivo é esclarecer eventuais vínculos e informações relacionadas a operações financeiras sob investigação.
O relator, senador Alessando Vieira (MDB-SE), afirmou que a convocação não significa acusação automática. “Não necessariamente são pessoas investigadas, nós convocamos testemunhas também. São personagens fundamentais, porque o crime organizado só prospera com infiltração no mercado financeiro”, disse o parlamentar.

Além dos ex-integrantes do governo Bolsonaro, a comissão decidiu convocar Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e executivos ligados à instituição. A CPI autorizou ainda a quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático do banco, para rastrear movimentações e apurar possíveis irregularidades.
No mesmo contexto, foi aprovada a quebra de sigilo da empresa Maridt Participações, que tem como sócio o ministro Dias Toffoli. A medida busca examinar operações financeiras, inclusive relacionadas à venda de participação no resort Tayayá, no Paraná.
A CPI também aprovou convites, que não obrigam comparecimento, aos ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além de outras autoridades. Entre os convidados estão Gabriel Galípolo, Rui Costa e Guido Mantega.
Foram retiradas da pauta convocações de governadores como Cláudio Castro (PL), Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Ibaneis Rocha (MDB). Já a convocação de Letícia Caetano dos Reis foi rejeitada, o que gerou críticas de integrantes da comissão.
A oitiva do ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, não ocorreu porque o STF ainda não autorizou o depoimento. Segundo o presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), um novo pedido será encaminhado para viabilizar a oitiva.