O corte de 96% na verba contra a chuva, feito por Zema, é um projeto para matar pobres

Atualizado em 25 de fevereiro de 2026 às 18:57
Romeu Zema avaliando os estragos que causou em Juiz de Fora

Enquanto as chuvas ceifam vidas e destroem lares em Juiz de Fora e Ubá, com um saldo macabro de 46 mortos e mais de 3 mil desabrigados, a verdade por trás dessa catástrofe emerge de forma brutal: a responsabilidade direta de Romeu Zema e de seu plano de desmonte social.

O governo de Minas Gerais, em um ato de criminosa negligência, cortou em absurdos 96% a verba destinada à prevenção de impactos das chuvas, de acordo com o Globo.

De R$ 134,8 milhões em 2023, o orçamento despencou para míseros R$ 5,8 milhões em 2025. Essa não é uma falha de gestão; é um projeto deliberado de abandono, uma sentença de morte para os pobres.

Enquanto famílias inteiras são varridas pela enxurrada, enquanto corpos são resgatados dos escombros, o governador que se diz gestor eficiente mostra sua verdadeira face: a de um cúmplice da tragédia.

A redução drástica de investimentos em infraestrutura e prevenção não é um acidente, mas uma escolha política que prioriza o lucro e o desmonte do Estado em detrimento da vida humana. É um projeto para matar pobres, para deixar à própria sorte aqueles que mais precisam da proteção do poder público.

A desfaçatez é tamanha que, após a hecatombe, o vice-governador anuncia a destinação de verbas emergenciais – R$ 38 milhões para Juiz de Fora e R$ 8 milhões para Ubá. Uma esmola tardia e insuficiente, que não trará de volta as vidas perdidas nem apagará a mancha de sangue nas mãos de quem poderia ter evitado essa calamidade.

Juiz de Fora, Minas Gerais

Onde estavam esses recursos quando a prevenção era possível? Por que esperar a morte bater à porta para agir com paliativos?

Em tempos de temperaturas extremas e grandes eventos climáticos, qual a surpresa? Zema não é “negacionista”: é criminoso.

O silêncio do governo Zema diante dos questionamentos sobre essa queda brutal nos investimentos é ensurdecedor e revela a falta de compromisso com a transparência e, acima de tudo, com a vida dos mineiros.

A omissão é um crime, e a população de Minas Gerais exige respostas e, mais do que isso, punição para os responsáveis por essa tragédia anunciada.

A negligência de Zema não é apenas uma falha administrativa. É uma ideia bem sucedida.

Kiko Nogueira
Diretor do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.