
Nelson Rodrigues Filho, o Nelsinho, morreu nesta quarta-feira (25), aos 79 anos. Agitador cultural, seja lá o que isso quer dizer, torcedor emérito do Fluminense e um dos nomes históricos do carnaval de rua do Rio, ele fundou o Bloco do Barbas e ficou marcado por sua militância contra a ditadura militar.
Filho do gênio Nelson Rodrigues (1912-1980), integrou o MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro) e passou sete anos preso durante o regime.
Sua trajetória política teve impacto direto na vida e nas posições públicas do pai. Assumidamente reacionário, ele era descrente das denúncias de tortura nas prisões militares.
Mudou após visitar o filho na cadeia. O episódio é narrado por Ruy Castro na espetacular biografia “O Anjo Pornográfico”.
[Nelsinho] já estava no Batalhão de Guardas. Nelson, Elza e Joffre tiveram autorização para vê-lo. Parecia bem. Mas Nelson perguntou-lhe na frente de um oficial:
“Você foi torturado?”
E Nelsinho:
“Muito.”
O rosto de Nelson se desfez, como uma máscara de teatro que tivesse sido deixada na chuva. Envelheceu anos naquele e nos minutos seguintes. Algo em que vinha acreditando durante todo aquele tempo se esboroava na palavra de seu filho — e, como se isso não bastasse, Joffre lhe contaria depois que vira o tornozelo de Nelsinho, com o branco do osso à mostra.
Nelson Rodrigues passaria a usar sua influência para tentar libertar o filho e outros presos políticos, além de adotar uma postura mais crítica ao regime.
Chegou a escrever ao ditador Emílio Garrastazu Médici, a quem chegou a admirar. Com a negativa oficial de libertação, engajou-se na campanha pela anistia ampla e irrestrita. Em 1974, Nelsinho conquistou a liberdade condicional.