
O levantamento AtlasIntel/Bloomberg divulgado, divulgado nesta quinta-feira (26), após o Carnaval, indica divisão na opinião pública sobre a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na homenagem da escola de samba Acadêmicos de Niterói, apresentada na Marquês de Sapucaí.
Segundo a pesquisa, apenas 35,5% dos entrevistados consideram que o presidente deveria ter recusado a homenagem. Já a maioria considerou a decisão de ir à Sapucaí como acertada, se dividindo entre 30,9% que apoiou totalmente Lula, enquanto outros 29% afirmam que ele deveria ter aceitado, mas mantido distância da celebração.

O presidente esteve no sambódromo para prestigiar o desfile, mas não entrou na avenida com a escola. Ainda assim, o impacto político da presença foi percebido de forma ambivalente.
Para 46,7% dos entrevistados, a ida de Lula ao evento foi negativa, enquanto 41,7% classificaram como positiva, evidenciando polarização sobre o gesto. A Acadêmicos de Niterói apresentou um samba-enredo que exaltou a trajetória do chefe do Executivo, transformando a homenagem em um dos temas centrais do debate político pós-Carnaval.

A pesquisa também avaliou a repercussão da fantasia “Conservadores em Conserva”, que gerou controvérsia nas redes sociais. Para 41,8% dos participantes, a alegoria representou “uma crítica legítima a um falso conservadorismo”. Já 32,9% entenderam que foi “uma zombaria ofensiva aos valores tradicionais”, enquanto 10% consideraram “uma forma de intolerância religiosa”. Outros 9,1% classificaram o elemento como “apenas um elemento de humor de Carnaval”.

Em relação ao sentimento pessoal, 31,8% disseram ter ficado muito ofendidos, 7,4% um pouco ofendidos e 56,2% afirmaram não ter se sentido ofendidos.

O levantamento foi realizado entre os dias 19 e 24 de fevereiro, por meio digital, com 4.986 entrevistados. A margem de erro é de um ponto percentual, com nível de confiança de 95%. Os dados sugerem que a homenagem carnavalesca teve repercussões além do campo cultural, influenciando percepções políticas sobre o presidente e ampliando o debate sobre o papel de manifestações populares na esfera institucional.
Durante viagem à Índia, onde cumpre agenda oficial desde o dia 18 acompanhado de 11 ministros, Lula comentou a homenagem e reafirmou sua decisão de aceitá-la.
“Cabia ao presidente da República aceitar se ele queria ser homenageado ou não e eu aceitei e sou muito grato à escola, muito grato!”, declarou em coletiva de imprensa. A fala foi interpretada por aliados como tentativa de encerrar a controvérsia e reforçar a legitimidade da participação.