Gilmar denuncia jornalistas que atacam STF: “Ressentidos com freio imposto à Lava Jato”

Atualizado em 26 de fevereiro de 2026 às 17:17
Gilmar Mendes

O ministro Gilmar Mendes afirmou nesta quinta-feira (26) que, se um alienígena chegasse ao país, teria a impressão de que todos os problemas nacionais estariam concentrados no Supremo Tribunal Federal. A declaração foi feita durante a cerimônia que marcou os 135 anos da Corte, em Brasília.

Decano do STF, Gilmar disse que o tribunal não se considera imune ao escrutínio da imprensa, mas que espera uma análise ampla de sua atuação. “Não é que nos julguemos infensos ao escrutínio da mídia. É que, por tudo que foi feito, nos entendemos merecedores, não da suspeição leviana, mas, ao menos, de uma justa e abrangente apreciação dos fatos”, declarou.

A propósito dessas idiossincrasias, também causa perplexidade, presidente, que os mesmos veículos que exaltaram a Lava Jato não tenham feito até hoje um mea culpa ante os abusos comprovados pelos documentos da Operação Spoofing. Como todos sabem, e eu não quero constranger ninguém, muitos jornalistas importantes, hoje talvez até promovidos na mídia qualificada, eram ghostwriters de Moro e companhia. E veja, Moro precisava de ter ghostwriters, porque talvez não soubesse escrever com G ou com J a palavra tigela”.

Moro em entrevista ao Roda Viva, cercado de seus fãs, os jornalistas da bancada

Ele prosseguiu: “É preciso que isso seja dito com toda a clareza, presidente, é preciso que se reflita criticamente sobre esse momento. Nada disso é reconhecido ou destacado por esses setores da mídia, que dão de ombros para as evidências e focam numa narrativa de deslegitimação da Corte, talvez por ressentimento com o freio imposto aos criminosos métodos lavajatistas e a consequente derrubada do circo midiático que em torno deles se formou. É, aliás, no mínimo irônico que os mesmos que antes incensavam a força-tarefa passem agora a acusar a Corte de seguir uma cartilha lavajatista nos inquéritos abertos em defesa da democracia”.

Gilmar ainda abordou o chamado “inquérito do fim do mundo”: “Eu devo dizer, presidente, da importância histórica do assim chamado inquérito das fake news. Nós vivemos esse momento dramático, convivemos com isso no início do governo Bolsonaro, e foi uma opção difícil. A decisão da presidência do ministro Toffoli, a designação do ministro Alexandre para essas funções. Eu não quero fazer a especulação do ‘se’ na história, o que seria do Brasil não fora a instauração do inquérito das fake news, mas estou muito tranquilo, porque o apoiei desde o início.

Para ele, o Supremo é “o grande artífice de sua própria evolução”, promovendo ajustes internos quando necessário.

Kiko Nogueira
Diretor do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.