Crise entre Tarcísio e Kassab chega ao limite e saída do governo é dada como certa

Atualizado em 27 de fevereiro de 2026 às 7:29
Gilberto Kassab e Tarcísio de Freitas. Foto: Fabiano Rocha

O desgaste na relação entre o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o secretário de Governo, Gilberto Kassab (PSD), atingiu um novo patamar nas últimas semanas e já é considerado por aliados como praticamente irreversível. Interlocutores afirmam que o ambiente entre os dois é ruim e que a permanência do presidente do PSD na gestão estadual deve durar pouco, em meio a disputas políticas e divergências sobre o rumo da articulação eleitoral.

Segundo a Folha, integrantes da base afirmam que Tarcísio se incomodou com a estratégia de Kassab de fortalecer o PSD por meio da filiação em massa de prefeitos e parlamentares de partidos aliados, movimento que teria provocado tensões internas e afetado a estabilidade política do governo.

O governador também estaria insatisfeito com a pressão para que o secretário seja escolhido como vice na chapa à reeleição, posto disputado com o atual vice, Felício Ramuth (PSD), e com André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa paulista.

André do Prado, presidente da Alesp. Foto: reprodução

Outro fator que agravou o distanciamento foi o vazamento de informações sobre uma investigação envolvendo Ramuth na Justiça de Andorra, sob suspeita de lavagem de mais de US$ 1,6 milhão, acusação negada pelo vice-governador. Questionado, Tarcísio afirmou que “fofoca antes de eleição sempre tem” e disse que o episódio não interfere na definição da chapa.

Nos bastidores, aliados especulam que o vazamento teria como objetivo enfraquecer a permanência de Ramuth, hipótese negada por André do Prado em declaração à Folha: “Isso não faz parte da minha índole. Jamais faria”. A teses também foi desmentida por Kassab, cuja assessoria declarou que “Kassab nega e lamenta o baixíssimo nível das intrigas apócrifas que circulam”.

A atuação de Kassab à frente da Secretaria de Governo, responsável pela distribuição de emendas e convênios, também gerou desconforto.

Prefeitos e dirigentes partidários acusam o secretário de usar sua influência para ampliar a presença do PSD, inclusive facilitando convênios para gestores ligados à legenda. Tarcísio chegou a dizer a interlocutores que Kassab “vendia na praça” um poder que não possuía, segundo relatos.

O mal-estar ganhou dimensão pública após declarações do secretário sobre a relação do governador com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em entrevista, Kassab afirmou: “Uma coisa é gratidão, reconhecimento, lealdade. Outra coisa é submissão”.

A fala irritou Tarcísio, que respondeu dizendo que sua relação com Bolsonaro é de amizade e gratidão, “absolutamente nada a ver com submissão”. Dias depois, voltou ao tema ao afirmar que lealdade não pode ser confundida com submissão e que amizade na política se tornou rara.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.