Por que Flávio segue desprezado pelo agro mesmo após crescimento nas pesquisas

Atualizado em 27 de fevereiro de 2026 às 8:38
O senador Flávio Bolsoanro. Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

O agronegócio brasileiro tem demonstrado resistência em aderir de forma imediata à possível candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, apesar de pesquisas recentes indicarem crescimento do nome do parlamentar. Lideranças do setor avaliam que ainda é necessário um candidato “mais moderado” da centro-direita para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mantendo cautela enquanto o cenário eleitoral permanece indefinido.

Segundo o Estadão, representantes do setor produtivo, parlamentares ligados ao agro e executivos da agroindústria apontam dúvidas sobre a competitividade da candidatura e sobre o grau de moderação do senador.

O receio central é a fragmentação da direita e a consequente reeleição do PT. Embora Flávio venha consolidando apoio no mercado financeiro e entre parte do eleitorado conservador, interlocutores consideram que ainda existe espaço para uma candidatura unificada capaz de ampliar o alcance político.

Entre as preocupações do agronegócio estão possíveis mudanças nas relações comerciais internacionais e na condução de políticas públicas estratégicas. Há temor de ruptura em iniciativas recentes de incentivo aos biocombustíveis e de abertura de mercados externos para produtos brasileiros.

Lula e Xi Jinping, presidente da China. Foto: Ricardo Stuckert

A eventual influência de nomes associados ao bolsonarismo mais ideológico também gera apreensão, especialmente quanto ao relacionamento com a China, principal destino das exportações do setor.

No campo, produtores demonstram maior simpatia ao nome de Flávio, sobretudo pelo legado político de Jair Bolsonaro e por pautas ligadas à segurança e costumes. Ainda assim, dirigentes afirmam que o apoio dependerá da posição do ex-presidente, visto como principal fiador político da direita. Entre empresários e exportadores, a preferência recai sobre alternativas consideradas mais pragmáticas.

Governadores como Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Ratinho Junior (PSD-PR) e Ronaldo Caiado (PSD-GO) são citados como possíveis nomes capazes de unificar o setor. Nos bastidores, a chapa considerada ideal por parte do agronegócio seria liderada por Tarcísio, tendo a senadora Tereza Cristina (PP-MS) como vice, ambos vistos como técnicos e gestores com experiência na área.

Dois cenários predominam nas análises do setor: caso Flávio confirme candidatura, produtores tendem a apoiá-lo enquanto agroindústria e exportadores podem manter proximidade com Lula, repetindo a divisão de 2022. Já uma terceira via de centro-direita poderia atrair apoio majoritário do agronegócio empresarial, mais orientado por critérios econômicos do que ideológicos.

Apesar dos esforços do governo federal para reconstruir pontes com o campo e anunciar investimentos recordes, temas como demarcação de terras indígenas, atuação do MST e debates tributários continuam alimentando desconfiança. A equipe de Flávio Bolsonaro não se manifestou sobre as avaliações do setor até o momento.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.