
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu na última quinta-feira (26), no Palácio do Planalto, com o líder religioso Apóstolo Élder Ulisses Soares, integrante do Quórum dos Doze Apóstolos da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (SUD), conhecidos como Mórmons. O encontro ocorreu em meio a críticas dirigidas ao petista após o desfile de uma escola de samba que o homenageou no carnaval do Rio de Janeiro e a cobranças de aliados por maior aproximação com o segmento religioso.
A audiência foi incluída na agenda oficial do presidente na manhã do mesmo dia. Em publicação nas redes sociais, Lula afirmou que teve “uma conversa muito boa”, destacando que os representantes religiosos relataram experiências em ações missionárias e humanitárias e se colocaram à disposição para colaborar com iniciativas governamentais.
Segundo o presidente, o grupo também ofereceu apoio às famílias afetadas pelas chuvas em Minas Gerais, repetindo ações já realizadas durante a tragédia no Rio Grande do Sul.
Lula também disse ter ouvido dos religiosos que a liberdade de culto no país recebeu incentivos durante seus mandatos. “Fiquei feliz ao ouvir que a liberdade religiosa no Brasil contou, nas palavras dos religiosos, com amplos incentivos dos meus governos. Agradeci o apoio com as ações humanitárias, e pedi o engajamento da igreja no Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, para que o combate à violência contra as mulheres tenha o engajamento de todos os segmentos da sociedade”, escreveu no X.
Recebi hoje representantes da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Tivemos uma conversa muito boa, na qual eles ressaltaram suas experiências missionárias com ajuda humanitária. E se colocaram à disposição para colaborar com o Governo no apoio e acolhimento às… pic.twitter.com/FqGRxyRQ3V
— Lula (@LulaOficial) February 27, 2026
Participaram do evento Jorge Messias, Advogado-Geral da União; Ulisses Soares, Apóstolo da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias; Michael O. Leavitt, Presidente do Coro e Orquestra do Tabernáculo na Praça do Templo, ex-governador do Estado de Utah, no Estados Unidos, e ex-Secretário de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos; Gordon Smith, Diretor no Temple Square em Salt Lake City, Utah, e ex-Senador dos Estados Unidos; e Joni L. Koch, Presidente da Igreja de Jesus Cristo no Brasil
O encontro acontece após repercussão negativa entre parte do eleitorado religioso devido ao desfile da escola Acadêmicos de Niterói, que apresentou a ala intitulada “Neoconservadores em conserva”, com referências a símbolos religiosos. A apresentação motivou ações judiciais movidas por partidos de oposição e ampliou o debate sobre a relação do governo com grupos religiosos.
Aliados do presidente reconhecem desgaste junto a esse segmento, embora afirmem que o governo não teve participação nas escolhas artísticas da escola de samba. Há, contudo, avaliações internas de que o chefe do Executivo deve intensificar gestos de diálogo para reduzir resistências políticas.
Questionado anteriormente sobre a polêmica, Lula afirmou que não interferiu na produção do desfile. “Eu não penso. Porque primeiro eu não sou o carnavalesco, eu não fiz o samba-enredo, eu não cuidei dos carros alegóricos. Eu apenas sou homenageado em uma música maravilhosa”, disse.
Em entrevista concedida durante viagem à Índia, o presidente reiterou sua posição: “Cabia ao presidente da República aceitar se ele queria ser homenageado ou não, e eu aceitei e sou muito grato à escola. Muito grato”.