
A violência e o crime voltaram ao topo das preocupações dos brasileiros, segundo pesquisa Ipsos divulgada nesta sexta-feira (27). O tema é citado por 49% dos entrevistados em fevereiro, registrando aumento de 8 pontos percentuais em relação a janeiro, quando aparecia com 41%. O avanço ocorre em meio à repercussão de casos recentes que dominaram o debate público e reforçaram a sensação de insegurança, especialmente entre mulheres.
“Crime e Violência, que segue na primeira posição entre as maiores apreensões […], No caso da violência, o avanço dialoga diretamente com a repercussão de episódios recentes que dominaram o debate público. Os números recordes de feminicídio reforçaram a percepção de insegurança, sobretudo entre mulheres. Soma-se a isso a ampla mobilização em torno do caso do cachorro Orelha, que, embora de natureza distinta, também alimentou discussões sobre violência e brutalidade”, avaliou Diego Pagura, CEO da Ipsos Brasil.
A corrupção, tema ainda mais recorrente nos últimos meses com o avanço das investigações sobre o caso Master, aparece como a segunda maior preocupação nacional, com 40%, ultrapassando a saúde, que caiu para a terceira posição, com 38%. O levantamento ouviu mil pessoas entre 16 e 74 anos entre 23 de janeiro e 6 de fevereiro de 2026.

Entre os demais temas citados estão pobreza e desigualdade social (34%), impostos (27%), educação (22%), inflação (21%) e desemprego (15%). Questões ambientais, mudanças climáticas e conflitos internacionais aparecem com percentuais menores.
A volta da corrupção ao segundo lugar ocorre em um cenário marcado por novos desdobramentos de investigações de grande repercussão, como o caso envolvendo o Banco Master e fraudes no INSS. “No caso da corrupção, as investigações do escândalo do Banco Master e da fraude do INSS seguem dando visibilidade a este problema crônico do país. Ambas as preocupações, se olharmos os últimos 12 meses, subiram 11 p.p. quando comparadas a fevereiro de 2025”, contextualizou o CEO da Ipsos.
Veja os números:
- Crime e violência: 49% (eram 41% em janeiro, 45% em dezembro e 52% em novembro)
- Corrupção: 40% ( 33% em janeiro, 36% em dezembro e 34% em novembro)
- Saúde: 38% (36% em janeiro, 34% em dezembro e 36% em novembro)
- Pobreza e desigualdade social: 34% (33% em janeiro, 31% em dezembro e 38% em novembro)
- Impostos: 27% ( 28% em janeiro, 27% em dezembro e 25% em novembro)
- Educação: 22% ( 19% em janeiro, 22% em dezembro e 22% em novembro)
- Inflação: 21% ( 26% em janeiro, 24% em dezembro e 23% em novembro)
- Desemprego: 15% ( 16% em janeiro, 15% em dezembro e 16% em novembro)
- Ameaças contra o meio ambiente: 10% ( 11% em janeiro, 13% em dezembro e 9% em novembro)
- Mudança climática: 10% (18% em janeiro, 14% em dezembro e 12% em novembro)
- Ascensão do extremismo: 8% ( 9% em janeiro, 9% em dezembro e 9% em novembro)
- Declínio moral: 4% (5% em janeiro, 5% em dezembro e 4% em novembro)
- Conflito militar entre nações: 3% ( 3% em janeiro, 3% em dezembro e 2% em novembro)
- Manutenção de programas sociais: 2% ( 3% em janeiro, 4% em dezembro e 3% em novembro)
- Coronavírus (Covid-19): 2% (3% em janeiro, 2% em dezembro e 2% em novembro)
- Terrorismo: 2% (3% em janeiro, 4% em dezembro e 5% em novembro)
- Acesso ao crédito: 1% (2% em janeiro, 1% em dezembro e 1% em novembro)
- Controle de imigração: 1% (1% em janeiro, 1% em dezembro e 1% em novembro)
No cenário internacional, crime e violência também lideram as preocupações, com 33%, seguidos pela inflação (29%) e pela pobreza e desigualdade social (28%). A pesquisa global ouviu 25.709 adultos em 30 países no mesmo período.
“No cenário global, as oscilações são mais moderadas, mas o pano de fundo permanece tensionado, com crime e violência, inflação e pobreza e desigualdade figurando entre as principais preocupações”, analisa Diego Pagura.
O estudo também aponta aumento da preocupação com imigração nos Estados Unidos, em meio a protestos contra operações do Serviço de Imigração e Alfândega.
“Isso ocorre em um contexto de ampla mobilização de protestos em todo o país contra as operações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), especialmente após confrontos e mortes de civis envolvendo estes agentes em Minneapolis, e relatórios mostrando que grande parte das pessoas detidas não tinham antecedentes criminais, fatores que ampliam o debate público sobre políticas migratórias e segurança”.