Em Jantar, Lula diz que vê Haddad como peça-chave para vencer em São Paulo

Atualizado em 27 de fevereiro de 2026 às 11:19
Lula e Haddad. Foto: Yuri Murakami/TheNews2/Agência O Globo

O jantar entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na noite de quinta-feira (26), marcou uma inflexão nas articulações eleitorais para 2026 e reforçou a estratégia do PT para o principal colégio eleitoral do país. A conversa teve como foco a disputa em São Paulo e a formação do palanque nacional, com Lula defendendo que precisa de Haddad para consolidar sua reeleição.

Segundo Ana Flor, do G1, assessores relataram que o presidente afirmou que conta com o ministro para liderar a chapa ao governo paulista.

Haddad vinha resistindo à ideia de concorrer novamente, mas passou a flexibilizar sua posição após insistência direta de Lula. Pessoas próximas ao ministro afirmam que ele avalia que o cenário atual difere de 2022, quando disputou o governo estadual enquanto Lula enfrentava Jair Bolsonaro na eleição presidencial.

Agora, segundo interlocutores, Haddad tem argumentado que o presidente “tem o que mostrar” após o mandato. A decisão final ainda depende de novas conversas, incluindo uma reunião prevista com o vice-presidente Geraldo Alckmin nos próximos dias.

Pesquisas recentes que apontam crescimento da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) e um possível segundo turno mais apertado acenderam o alerta no núcleo estratégico do governo.

O senador Flávio Bolsoanro. Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Nesse contexto, aliados de Lula avaliam que Haddad seria o nome com maior potencial para reduzir a vantagem do governador Tarcísio de Freitas em São Paulo e ampliar a votação do petista no estado. Mesmo diante do favoritismo do atual governador, o ministro é visto como peça-chave para fortalecer o palanque presidencial.

Durante viagem oficial à Ásia, Lula intensificou as tratativas e conseguiu convencer Haddad a considerar seriamente a disputa, segundo informações de bastidores. A eventual candidatura altera o cenário político paulista e influencia diretamente a estratégia dos adversários.

Aliados de Tarcísio avaliam que Haddad teria caminho mais fácil se disputasse o Senado, mas reconhecem que sua entrada na corrida ao governo muda o equilíbrio da eleição.

No campo governista paulista, a disputa pela vaga ao Senado já mobiliza diferentes partidos, incluindo o deputado Guilherme Derrite. O PL, ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao senador Flávio Bolsonaro, também busca espaço na chapa e na definição do candidato a vice, posto atualmente ocupado por Felicio Ramuth. A composição final dependerá das alianças regionais e do desempenho nas pesquisas ao longo do ano.

Para viabilizar a candidatura, Haddad deverá concentrar esforços na capital paulista, onde foi prefeito entre 2013 e 2016 e obteve desempenho expressivo na eleição de 2022.

A avaliação no entorno do presidente é que um resultado competitivo na cidade é essencial para impulsionar a campanha nacional e garantir um palanque sólido para Lula em São Paulo, estado decisivo para qualquer projeto de reeleição.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.