Juíza aposentada que reclamou de pagar café vira piada no STF: “Entrou para a história”

Atualizado em 27 de fevereiro de 2026 às 12:34
A juíza do trabalho Cláudia Márcia de Carvalho Soares no STF. Foto: Reprodução

A juíza aposentada Cláudia Márcia de Carvalho Soares virou piada no Supremo Tribunal Federal (STF) após reclamar dos benefícios que ela considera escassos para magistrados de primeiro grau. Durante sua fala, ela destacou que esses magistrados pagam por itens básicos como café e carro, contrastando com os privilégios da “elite do Judiciário”, que recebem um salário bruto de cerca de R$ 47 mil, o teto do funcionalismo público.

Segundo a coluna de Daniela Lima no UOL, ministros do Supremo zombaram da ex-juíza e reagiram com ironia. “Foi brilhante. Entrou para a história”, disse um membro da Corte, que preferiu não se identificar.

A magistrada também se queixou que os desembargadores não têm direito a benefícios como apartamento funcional, plano de saúde, refeitório, água ou café. Ela afirmou que, no caso dos juízes de primeiro grau, a situação era ainda mais difícil, com despesas pessoais que deveriam ser cobertas com o próprio salário.

Veja:

A fala de Cláudia Márcia gerou revolta nas redes sociais, sendo vista por muitos como um reflexo do distanciamento da elite do Judiciário da realidade da população brasileira. No país, a maioria dos trabalhadores não chega a ganhar sequer cinco salários mínimos, enquanto membros da magistratura desfrutam de remunerações elevadas e benefícios adicionais.

A ex-juíza recebeu R$ 296 mil nos últimos três meses de 2025, com uma média mensal superior a R$ 40 mil. Em dezembro, seu salário ultrapassou o teto constitucional, chegando a R$ 113,8 mil, um valor consideravelmente acima do limite fixado pelo funcionalismo, que é de R$ 46,3 mil.

A magistrada representou a Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho no STF, durante um julgamento que analisava as decisões de ministros como Flávio Dino e Gilmar Mendes sobre os penduricalhos.

As decisões questionadas visavam suspender o pagamento de verbas indenizatórias não previstas em lei, com o objetivo de evitar supersalários dentro do Judiciário.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.