
A Polícia Federal informou que o desembargador Macário Judice, preso na Operação Unha e Carne, pagou mais de R$ 3 mil por uma passagem aérea do Rio de Janeiro para São Paulo, em dezembro do ano passado, para se reunir com o ex-presidente Michel Temer. Com informações do jornal O Globo.
Segundo o relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal, o objetivo seria tratar de questões relacionadas à investigação sobre vazamento de informações à facção criminosa Comando Vermelho. O relator do caso é o ministro Alexandre de Moraes.
De acordo com a PF, o magistrado demonstrava urgência em se encontrar com Temer por acreditar que o ex-presidente poderia interceder junto ao relator do processo. Em mensagens interceptadas com autorização judicial, Judice relatou à esposa: “Foi boa a conversa, muito educado, muito boa”.
Em outro trecho citado no relatório, consta: “Ele acha o seguinte, e ele tem razão, a gente chegou a redigir uma mensagem que ele ia mandar, mas ele disse: se você não tá no radar e não tem nada na cabeça dele que te ligue, você vai despertar isso pra quê? Ele é muito esperto né amor”.

Procurado, Temer afirmou que não tratou de qualquer pedido relacionado ao caso. “Desconversei! Recebo magistrados de todo o país. Achei que ele viria pedir meu apoio para se candidatar ao STJ (Superior Tribunal de Justiça)”, declarou. A reunião ocorreu no escritório do ex-presidente no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo, no dia 10 de dezembro, segundo a PF.
O relatório aponta que a passagem foi comprada no dia 5 de dezembro, com embarque às 7h50 e retorno às 15h25 do mesmo dia. A aquisição foi feita por Flávia, esposa do desembargador. A PF registrou que a compra ocorreu no mesmo período em que a Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa do Rio confirmou o adiamento da sessão que analisaria a prisão de Rodrigo Bacellar.
A corporação também descreveu o acompanhamento do deslocamento do magistrado, classificado como movimentação atípica. O voo atrasou e Judice chegou ao escritório de Temer às 11h09, permanecendo até 12h02. Após o encontro, o número do ex-presidente foi salvo na agenda do celular do desembargador, conforme descrito no relatório.
No documento final, a PF indiciou Rodrigo Bacellar, então presidente da Alerj, o ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Jóias, e Flávia, esposa do magistrado, por vazamento de informações ao Comando Vermelho. Em relação a Macário Judice, os autos foram encaminhados à Procuradoria-Geral da República, que decidirá sobre eventual denúncia, em razão das regras da Lei Orgânica da Magistratura.