
Ao atacar o Irã pela segunda vez em menos de um ano, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump elevou a pressão sobre o regime liderado pelo aiatolá Ali Khamenei. A ofensiva ocorreu após bombardeios americanos e abriu uma fase de incertezas sobre o futuro político da República Islâmica.
Sem um plano claro para o cenário pós-ataques, a Casa Branca enfrenta a possibilidade de desdobramentos distintos em Teerã. As alternativas vão da manutenção do regime atual ao avanço de militares, passando por conflitos internos ou até a restauração da monarquia deposta em 1979.
A sucessão de Khamenei já vinha sendo discutida antes da nova ofensiva. Em 2023, o líder supremo formou uma comissão para indicar possíveis substitutos. Entre os nomes citados estavam o então presidente Ebrahim Raisi, morto em 2024, além de Mojtaba Khamenei e Hassan Khomeini, neto do fundador da República Islâmica, Ruhollah Khomeini.

A continuidade do regime depende do apoio da Guarda Revolucionária. Caso figuras mais radicais ganhem epaço, o governo pode adotar postura ainda mais rígida e distante do Ocidente. Também há a hipótese de mudanças graduais, embora a legitimidade interna esteja fragilizada por protestos e crise econômica.
Se o modelo atual ruir, a Guarda Revolucionária surge como principal força capaz de assumir o controle. Além do peso militar, o grupo exerce influência política e domina setores estratégicos da economia, como exportações de petróleo e construção civil. Um governo comandado por seus integrantes reforçaria o discurso nacionalista e ampliaria o controle sobre a segurança interna.
Disputas entre facções da própria Guarda podem, no entanto, gerar instabilidade. Tensões internas e pressões regionais aumentam o risco de confrontos localizados. Minorias étnicas nas fronteiras com Iraque, Paquistão e Afeganistão poderiam ampliar reivindicações, enquanto países vizinhos acompanhariam de perto qualquer sinal de fragmentação.
Outra possibilidade envolve o retorno do príncipe herdeiro Reza Pahlavi, filho do último xá deposto na Revolução de 1979. Ele defende eleições e liberdade política, mas enfrenta resistência de setores que associam seu nome à repressão do passado. O grau de apoio interno permanece incerto.
Há ainda a hipótese de ascensão do grupo Mujahedins do Povo, organização surgida nos anos 1960 que rompeu com o regime após a Revolução Islâmica. Apesar de apoio na diáspora e entre políticos ocidentais, o movimento enfrenta desconfiança dentro do Irã. Independentemente do desfecho, o próximo governo terá de lidar com inflação superior a 50% ao ano, desvalorização do rial e necessidade de negociar sanções ligadas ao programa nuclear.