Entre Trump e BRICS: Governo discute teor da nota oficial após ataque ao Irã

Atualizado em 28 de fevereiro de 2026 às 10:16
Presidente Lula cumprimenta o Aiatolá Khamenei em encontro dos BRICS. Foto: Ricardo Stuckert

Neste sábado (28), o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva discute em Brasília a divulgação de uma manifestação oficial sobre o ataque coordenado pelos Estados Unidos com apoio de Israel contra alvos no Irã. A ofensiva ocorreu na manhã de hoje e levou o Palácio do Planalto a adotar postura de cautela antes de qualquer posicionamento público.

Integrantes do governo afirmam que a orientação inicial é acompanhar os desdobramentos e avaliar o alcance real da operação. A expectativa é que o Itamaraty publique nota ainda ao longo do dia, após consolidar informações sobre os bombardeios.

Segundo interlocutores, ainda não há clareza sobre a extensão dos danos nem sobre os alvos efetivamente atingidos. A avaliação interna é de que é preciso reunir dados mais precisos antes de definir o tom da resposta brasileira. Um auxiliar do governo afirmou que o primeiro passo é compreender exatamente o que ocorreu e quais foram as consequências imediatas.

O episódio também é analisado sob o impacto diplomático. Autoridades ponderam como a crise pode influenciar a relação com o presidente americano Donald Trump, com quem Lula tem encontro previsto nos próximos dias, em Washington. A possibilidade de o tema entrar na pauta da reunião passou a ser considerada provável. Paralelamente, o Irã é parceiro comerical do Brasil nos BRICS.

Há cerca de uma semana, durante visita a Abu Dhabi, Lula afirmou que não pretendia tratar de eventual ofensiva americana contra o Irã. Na ocasião, reuniu-se com o presidente dos Emirados Árabes, Mohammed bin Zayed Al Nahyan, enquanto os Estados Unidos reforçavam presença militar na região. Com os ataques confirmados, auxiliares admitem que o cenário mudou.

A operação foi anunciada por Trump como uma ação de grande escala contra as Forças Armadas iranianas, o programa nuclear do país e estruturas consideradas estratégicas. Batizada de “Operação Fúria Épica”, a ofensiva contou com participação de Israel, que informou ter atingido alvos militares no oeste iraniano. Explosões atingiram Teerã, Tabriz, Kermanshah e Isfahã, onde fica uma das principais instalações nucleares do Irã.

Na capital iraniana, o gabinete do presidente Masoud Pezeshkian foi alvo, mas ele não se feriu, e houve ataques nas proximidades da residência do aiatolá Ali Khamenei, que estaria em local seguro, segundo fontes que também relataram mortes de comandantes e integrantes do governo. Teerã chamou a ação de violação de soberania e retaliou com mísseis e drones contra Israel e bases dos Estados Unidos na região, com registros no Bahrein e alertas de abrigo em cidades como Jerusalém e Tel Aviv.

Veja vídeos dos ataques:

Lindiane Seno
Lindiane é advogada, redatora e produtora de lives no DCM TV.