Ataques de EUA e Israel deixam 201 mortos; Irã emite alerta para ameaça à paz mundial

Atualizado em 28 de fevereiro de 2026 às 15:51
Fumaça é vista em base Bahrein em suposto ataque do Irã em retaliação aos ataques dos EUA e Israel — Foto: Reuters

No início da manhã deste sábado (28/02), os Estados Unidos e Israel realizaram um ataque coordenado contra o Irã, resultando em 201 mortes e 747 feridos, segundo informações divulgadas pela mídia iraniana, baseadas no Crescente Vermelho. Explosões foram ouvidas em diversas cidades iranianas, incluindo Teerã, e o governo do Irã respondeu com lançamentos de mísseis contra Israel e ataques a bases militares americanas no Oriente Médio. Essa escalada de violência reacende a tensão na região, já marcada por décadas de conflitos entre o Irã e potências ocidentais.

O ataque visou áreas estratégicas de Teerã, incluindo as proximidades do palácio presidencial e instalações associadas ao líder supremo, Ali Khamenei. Em uma declaração oficial, o Irã considerou o ataque como uma “agressão militar criminosa” e um risco iminente à paz mundial. O Estreito de Ormuz, uma das rotas de petróleo mais importantes do mundo, foi fechado por questões de segurança, enquanto os ataques deixaram um saldo devastador de mortes, incluindo 51 estudantes de uma escola no sul do Irã, conforme fontes oficiais iranianas.

Em resposta, o Irã lançou mísseis e drones contra o território israelense, e explosões também foram ouvidas em países vizinhos com presença militar americana, como Catar, Bahrein e Kuwait. No Bahrein, vários edifícios residenciais foram atingidos, enquanto os Emirados Árabes Unidos relataram a interceptação de mísseis iranianos, com uma vítima fatal em Abu Dhabi. O Irã, com seu poderio militar crescente, prometeu uma resposta firme, ameaçando retaliar qualquer base que apoie os ataques de EUA e Israel.

O impacto do ataque não se limitou ao Irã, já que a operação militar gerou um colapso temporário nas operações aéreas, com vários voos suspensos para o Oriente Médio. A situação também afetou as operações no aeroporto de Dubai, e os voos internacionais de São Paulo a Dubai e Doha tiveram que retornar devido à escalada de hostilidade. A ameaça de uma guerra prolongada coloca a região em alerta máximo, enquanto as potências ocidentais, principalmente os EUA, justificam suas ações como medidas de proteção contra o programa nuclear iraniano.

Fumaça é vista em base Bahrein em suposto ataque do Irã em retaliação aos ataques dos EUA e Israel — Foto: Reuters

A narrativa de Washington e Tel Aviv, que alegam a necessidade de neutralizar a ameaça nuclear do Irã, é acompanhada de uma retórica agressiva. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o objetivo do ataque era destruir o programa nuclear iraniano, alegando que a operação pode durar dias. Enquanto isso, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu classificou o ataque como uma ação para “eliminar a ameaça existencial” do regime iraniano, sugerindo que isso abriria caminho para que o povo iraniano tomasse o controle de seu destino.

Apesar das declarações de ambos os governos, a complexidade da situação geopolítica do Oriente Médio não é abordada de forma plena nas falas ocidentais. A repetida utilização de mísseis, drones e ataques militares apenas alimenta um ciclo de hostilidade que prejudica ainda mais a população civil, já devastada por anos de sanções e repressão. A retórica simplista de “eliminar a ameaça” obscurece o papel de intervenções externas, que frequentemente têm alimentado conflitos em nome de interesses políticos e econômicos.

A resposta do Irã, com seus ataques a Israel e a bases dos EUA, evidencia a capacidade militar crescente do país, que tem investido fortemente em tecnologia de mísseis e drones. Além disso, o Irã já havia mostrado sinais de sua intenção de defender suas fronteiras e resistir a pressões externas, especialmente em relação ao seu programa nuclear. A acusação de “agressão militar criminosa” reflete não apenas a resistência iraniana, mas também a dificuldade do país em negociar com potências ocidentais que constantemente veem sua política nuclear com desconfiança.

A situação atual revela a fragilidade das negociações diplomáticas e a iminente ameaça de um conflito regional ainda mais intenso. O papel da ONU, que ainda não se pronunciou de forma substancial, é vital para buscar uma solução pacífica e evitar uma guerra de larga escala, cujos impactos seriam devastadores para o Oriente Médio e para a estabilidade global.