VÍDEO: Nikolas Ferreira afirma que Bolsonaro pode voltar à presidência porque ‘brasileiro gosta de ex-presidiário’

Atualizado em 28 de fevereiro de 2026 às 16:25
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-SP) Foto: Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) fez uma declaração polêmica em entrevista à SBT News, ao afirmar que Jair Bolsonaro poderá retornar à presidência após deixar a prisão, pois “brasileiro gosta de ex-presidiário”. A fala de Nikolas, evidentemente, faz referência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que passou 1 ano e 7 meses detido na farsa da Lava Jato.

Atualmente, Bolsonaro, aliado de Nikolas, cumpre pena no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, com uma condenação de 27 anos e 3 meses. A família Bolsonaro tem intensificado esforços políticos para obter uma anistia para o ex-presidente, e Nikolas, ao mencionar um possível retorno de Bolsonaro à presidência, reforça esse movimento.

Não é a primeira vez que Nikolas coloca o clã em uma situação delicada. Recentemente, Eduardo Bolsonaro, foragido nos EUA, criticou a postura do deputado mineiro e de Michelle Bolsonaro, sugerindo que ambos deveriam apoiar mais ativamente a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). Ele acusou Nikolas de tentar se distanciar de Bolsonaro e de esquecer o apoio que recebeu em suas campanhas. Eduardo também mencionou que tanto Michelle quanto Nikolas estavam se apoiando mutuamente nas redes sociais.

Em resposta às críticas, Nikolas defendeu Michelle Bolsonaro e refutou a acusação de “amnésia”. O deputado mineiro afirmou que sua memória estava intacta e que jamais se esqueceria do apoio recebido no passado. Durante uma visita a Bolsonaro na prisão, Nikolas afirmou que Eduardo “não estava bem” e ressaltou que ele e Michelle continuam se apoiando nas redes sociais, com posts e declarações públicas de solidariedade, evidenciando o apoio entre os dois, apesar das críticas de Eduardo.

Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira são do mesmo partido, o PL Imagem: Reprodução/Instagram

A fala de Nikolas Ferreira, ao afirmar que “brasileiro gosta de ex-presidiário”, gerou grande repercussão nas redes sociais e entre aliados políticos, revelando a profundidade da polarização brasileira. Ao se referir ao apoio popular a figuras como Lula e, segundo sua visão, a Bolsonaro, Nikolas expôs o desprezo pela separação entre justiça e política no Brasil. A ideia de que ex-presidiários poderiam retornar ao cargo máximo da República, depois de cometerem graves crimes, é um reflexo distorcido da atual situação política, onde o passado criminal de líderes parece ser ignorado ou até romantizado, dependendo do lado.

A comparação implícita entre Lula e Bolsonaro é reveladora: enquanto Lula, preso injustamente e reeleito, se reconstruiu politicamente, Bolsonaro ainda tenta se reerguer diante de uma série de escândalos e processos legais. A retórica de Nikolas, ao apresentar o povo como “simpatizante” de ex-presidiários, faz parte de um movimento de aproveitamento da fragilidade política de Bolsonaro. Não é apenas uma tentativa de deslegitimar a oposição, mas também de manipular a narrativa em benefício próprio e de seu grupo político.

Além disso, o fato de a fala de Nikolas ter sido feita em um contexto de briga interna na família Bolsonaro apenas expõe a frágil unidade do bolsonarismo. Eduardo, em um ato de desespero, não hesitou em criticar publicamente o aliado Nikolas, exigindo mais lealdade ao “legado” de Bolsonaro. A divisão interna do bolsonarismo, com acusações de “amnésia” e traição, mostra como as tensões estão se intensificando no seio de um movimento já marcado por contradições.

Essa situação, portanto, é mais do que uma simples declaração polêmica; ela revela a falência de um projeto político que, apesar de ainda contar com uma base de apoio, enfrenta uma dura realidade: o bolsonarismo não soube construir uma base sólida e agora lida com sua própria decadência. O futuro político de Bolsonaro, um ex-presidente condenado por tentativa de golpe e com os olhos voltados para sua liberdade, parece incerto, mas a continuidade dessa divisão interna e das críticas de figuras como Nikolas só fortalece a impressão de que o bolsonarismo caminha para um impasse definitivo.

Veja o vídeo: