Irã solicita condenação internacional e intervenção da ONU após bombardeios de EUA e Israel

Atualizado em 28 de fevereiro de 2026 às 16:39
O chanceler do Irã,Abbas Araghchi – Foto: Ozan Kose

O Irã pediu à ONU uma ação imediata após ataques coordenados de Israel e Estados Unidos, que atingiram diversas cidades iranianas, incluindo a capital Teerã, no início deste sábado (28). O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, enviou uma carta à organização, pedindo que os EUA e Israel “assumam plenamente as consequências de suas ações ilegais”. De acordo com Araghchi, o Irã agiu em legítima defesa e solicitou que a comunidade internacional condenasse o que ele classificou como um “ato de agressão”.

Em resposta aos ataques, que resultaram em centenas de mortos e feridos, o Irã lançou mísseis contra Israel e atingiu bases militares dos EUA no Oriente Médio. O ministro afirmou que o Irã tomaria todas as medidas necessárias para proteger sua soberania e garantir a integridade territorial do país, chamando os ataques de “provocações inaceitáveis”. O Conselho de Segurança da ONU convocou uma reunião de emergência para discutir a situação, com previsão de ocorrer às 18h (horário de Brasília), em Nova York.

A reunião, convocada após o pedido do Irã, é composta pelos membros permanentes do Conselho de Segurança — EUA, China, Rússia, França e Reino Unido — que possuem poder de veto, além dos 10 membros não permanentes, incluindo países como Brasil, Colômbia e Paquistão. A ONU já condenou a escalada militar no Oriente Médio e ressaltou que a Carta da ONU proíbe “a ameaça de uso da força contra a integridade territorial ou independência política de qualquer Estado”. A situação, no entanto, continua sendo altamente tensa e sem perspectivas claras de resolução.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou sua preocupação com a violência crescente e pediu que todas as partes envolvidas respeitem as obrigações internacionais e busquem soluções pacíficas para o conflito. A escalada de violência entre o Irã e as potências ocidentais, que remonta a várias décadas de desavenças, ameaça agora gerar uma crise internacional ainda maior. Países como França, Rússia, Espanha e China também se manifestaram contra a ação militar de Israel e dos EUA, pedindo um cessar-fogo imediato e a retomada das negociações diplomáticas.

EUA e Israel atacam Irã, que revida com mísseis contra bases militares americanas no Oriente Médio

Além disso, o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das rotas de petróleo mais importantes do mundo, foi anunciado pelo governo iraniano como medida de segurança, exacerbando ainda mais as tensões globais. A medida impacta diretamente o comércio internacional, e vários países, incluindo os Emirados Árabes Unidos, também relataram interceptações de mísseis iranianos em seus territórios, resultando em vítimas fatais, como no caso de Abu Dhabi.

O ataque, que ocorreu durante um processo de negociação diplomática entre EUA e Irã, teve repercussões imediatas no setor aéreo, com companhias aéreas suspensas e voos internacionais sendo interrompidos, como os provenientes de São Paulo para Dubai e Doha, que precisaram retornar. O impacto desses eventos na segurança internacional e na economia global tem sido severo, levando a um aumento nas precauções militares na região.

A ONU, que já havia manifestado preocupação com as tensões no Oriente Médio, agora enfrenta uma crescente pressão para intervir de forma decisiva, com o objetivo de evitar uma escalada ainda mais perigosa. A comunidade internacional observa atentamente os desdobramentos da situação, esperando que medidas diplomáticas possam evitar um conflito de proporções catastróficas.

O futuro da região depende, em grande parte, da capacidade das potências globais de mediar a crise, equilibrando as pressões políticas e as preocupações de segurança nacional. Para o Irã, a resposta internacional a este novo episódio será crucial para definir a estabilidade no Oriente Médio nos próximos meses.