
Caças de Israel bombardearam a capital do Líbano, Beirute, matando mais de 30 pessoas após o Hezbollah lançar, segundo o próprio grupo, um ataque com foguetes e drones contra uma base militar em Haifa, no norte de Israel, ampliando o conflito na região. O grupo libanês aliado ao Irã afirmou na manhã de segunda-feira (2) que a ofensiva foi uma retaliação pela morte do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, realizada “em defesa do Líbano e de seu povo” e “em resposta às repetidas agressões israelenses”.
Em comunicado, a organização declarou que “a liderança da resistência sempre afirmou que a continuidade da agressão israelense e o assassinato de nossos líderes, jovens e povo nos dá o direito de nos defender e responder no momento e local apropriados”, em referência aos ataques quase diários de Israel ao território libanês.
O Hezbollah acrescentou que “o inimigo israelense não pode continuar sua agressão de 15 meses sem uma resposta de advertência para deter essa agressão e se retirar dos territórios libaneses ocupados”.
Israël a bombardé Beyrouth cette nuit.
La France va intervenir contre l’Iran pour protéger ses intérêts dans les pays du golfe mais n’interviendra pas contre Israël pour protéger le Liban qu’elle qualifie hypocritement de pays ami. pic.twitter.com/l9tKLMCaK3— Taoufiq TAHANI (@TaoufiqTahani) March 2, 2026
A agência estatal libanesa NNA informou que os ataques israelenses deixaram ao menos 31 mortos e 149 feridos. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que o Hezbollah pagará um “preço alto” pelos disparos e declarou que o secretário-geral do grupo, Naim Qassem, é “agora um alvo marcado para assassinato”.
Katz também ameaçou Qassem ao dizer que “qualquer um que siga o caminho de Khamenei logo se encontrará nas profundezas do inferno com todos os membros fracassados do eixo do mal”.
O Hezbollah, que atua independentemente do governo libanês, foi enfraquecido nos últimos anos, especialmente em 2024, quando Israel matou grande parte de seus líderes militares e políticos. Ainda não está claro qual capacidade o grupo mantém para causar danos a Israel ou alterar o equilíbrio de forças em favor do Irã.
De acordo com informações da Al Jazeera, Israel respondeu rapidamente com ataques aéreos no sul de Beirute e, segundo veículos locais, também atingiu vilarejos do sul do Líbano e o Vale do Bekaa. As Forças Armadas israelenses disseram estar “atacando vigorosamente o Hezbollah” em todo o país e afirmaram que agirão contra a decisão do grupo de entrar na campanha militar. “Não permitiremos que a organização represente uma ameaça a Israel e prejudique os moradores do norte”, declarou o Exército.
🔴 #URGENTE | Crece el conflicto en el Medio Oriente: Israel bombardea Beirut, Líbano, en represalia por el ataque de misiles de Hezbollah. pic.twitter.com/X1VpKEo8L5
— Mundo en Conflicto 🌎 (@MundoEConflicto) March 2, 2026
Os militares israelenses afirmaram ainda que o Hezbollah está destruindo o Estado libanês e responsabilizaram o grupo pela escalada. Posteriormente, informaram ter atingido membros “seniores” da organização na região de Beirute e uma figura “chave” no sul do país, sem dar detalhes. Israel também ordenou a evacuação de moradores de mais de 50 vilarejos no sul do Líbano e no Vale do Bekaa, incluindo Bint Jbeil.
A intensificação da violência pode aprofundar a crise no Líbano, que enfrenta dificuldades econômicas e políticas há anos. Apesar de um cessar-fogo firmado em novembro de 2024, autoridades libanesas acusam Israel de violar a trégua com ataques frequentes. Em janeiro, Beirute apresentou queixa à ONU relatando mais de duas mil violações da soberania do país.
O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, classificou o ataque do Hezbollah como “um ato irresponsável e suspeito que coloca em risco a segurança do Líbano e fornece a Israel pretextos para continuar sua agressão”. Ele acrescentou: “Não permitiremos que o país seja arrastado para novas aventuras, e tomaremos todas as medidas necessárias para prender os responsáveis e proteger o povo libanês”.