Trump entrou na guerra contra o Irã por exigência de Netanyahu, diz Tucker Carlson

Atualizado em 2 de março de 2026 às 22:07
Donald Trump e Tucker Carlson

Tucker Carlson, ex-apresentador da Fox News e o principal influenciador da direita americana, disse em seu canal no YouTube, nesta segunda-feira (2), que o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu pediu diretamente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que o apoiasse na derrubada do regime iraniano.

“Netanyahu exigiu que ajudássemos a derrubar o regime, dizendo a Trump: ‘Você pode se juntar a mim ou não, mas eu vou fazer isso'”, afirmou Carlson, acrescentando que o governo de Israel deu ao presidente americano um ultimato: ou ele se junta à ação ou simplesmente assiste enquanto Israel age sozinho.

A Casa Branca havia vendido a ideia de que os ataques eram uma ação defensiva dos Estados Unidos contra uma ameaça iminente do Irã. No entanto, Carlson argumenta que o verdadeiro motivo é um ultimato de Israel, que pressionou Washington a se envolver ou permitir que o Estado judeu agisse de forma independente.

Em uma reportagem publicada na segunda-feira (2), o New York Times detalhou como a pressão de Netanyahu levou Trump a autorizar os ataques contra o Irã.

De acordo com a publicação, Carlson tentou convencer o presidente a não entrar em guerra com o Irã, argumentando os riscos para os militares dos EUA, os preços da energia e os aliados árabes na região.

Carlson também teria alertado Trump de que o desejo de Netanyahu de atacar o Irã era a principal razão para que o presidente estivesse considerando uma ação militar, e o aconselhou a “contenção” do premiê israelense.

No entanto, Trump respondeu que os EUA não tinham escolha a não ser se unir a Israel no ataque ao Irã, o que deu início a uma campanha de bombardeios que escalou rapidamente, resultando em um conflito com amplas repercussões no Oriente Médio.

Carlson teria comentado com outras pessoas que o presidente já parecia inclinado à ação militar após ele deixar a Casa Branca. Os dois se encontraram três vezes no Salão Oval no mês passado.

Desde o início da operação conjunta EUA-Israel no Irã, seis membros das Forças Armadas dos Estados Unidos foram mortos, segundo o Comando Central dos EUA. Já o número de mortos iranianos, de acordo com a Sociedade da Lua Vermelha iraniana, ultrapassava os 500 até a manhã desta segunda-feira.

Em resposta, o Irã e seus aliados regionais lançaram ataques contra várias bases militares dos EUA no Oriente Médio, incluindo em países como Bahrein, Iraque, Jordânia, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Catar e Arábia Saudita. O Irã e o Hezbollah, seu aliado mais poderoso, também realizaram ataques contra Israel.

O New York Times relatou ainda que o general Dan Caine, presidente do Estado-Maior Conjunto, alertou Trump sobre as possíveis baixas americanas em um conflito com o Irã. O presidente reconheceu, em uma entrevista, que “provavelmente haverá mais” mortes de americanos antes do fim do conflito, que ele acredita que durará cerca de quatro semanas, segundo entrevista com Jake Tapper da CNN.

Enquanto isso, o vice-presidente Vance, durante uma reunião em 18 de fevereiro, defendeu que os EUA deveriam “ir com tudo e rápido” se decidissem atacar o Irã. Vance, veterano do Corpo de Fuzileiros Navais e que serviu na Guerra do Iraque, criticou anteriormente as intervenções militares dos EUA para mudança de regime.

Davi Nogueira
Davi tem 25 anos, é editor e repórter do DCM, pesquisador do Datafolha e bacharel em sociologia pela FESPSP, além de guitarrista nas horas vagas.