TCU pede ao STF acesso às provas sobre festas promovidas por Vorcaro

Atualizado em 2 de março de 2026 às 23:26
Tribunal de Contas da União em dia ensolarado
Tribunal de Contas da União – Reprodução

O ministro do Tribunal de Contas da União, Jorge Oliveira, solicitou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, o compartilhamento de eventuais provas relacionadas à participação de autoridades em eventos promovidos pelo empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O pedido foi formalizado em despacho assinado no sábado (28).

No documento, o relator suspendeu a análise de representação no TCU até que surjam elementos no processo que tramita no STF, sob relatoria de Mendonça, além de inquéritos vinculados. Oliveira determinou que a unidade técnica do tribunal acompanhe o andamento das investigações no Supremo e promova a instrução do caso caso haja compartilhamento de evidências.

A representação foi protocolada em 29 de janeiro pelo subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado. O pedido solicita a identificação de procuradores, magistrados e outras autoridades que teriam participado de encontros privados conhecidos como “Cine Trancoso”, realizados em Trancoso, na Bahia, além de eventual envolvimento de órgãos federais no financiamento ou promoção dos eventos.

empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sentado, sorrindo, sem olhar para a câmera
O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master – Divulgação

A unidade técnica do TCU recomendou o arquivamento por entender que a solicitação se baseia em reportagens e não apresenta indícios mínimos de irregularidade na gestão de recursos públicos federais. A AudBancos afirmou ainda que a apuração sobre participação de autoridades em eventos privados estaria fora da competência da corte de contas.

Ao decidir manter o caso sob análise, Jorge Oliveira afirmou que a sensibilidade e relevância do tema impedem arquivamento imediato. Ele registrou que o Tribunal deve adotar todos os meios para avaliar possíveis irregularidades e que o STF dispõe de instrumentos investigativos mais amplos, como quebras de sigilo e perícias técnicas. O TCU ressaltou que não exerce função penal nem substitui o Judiciário ou o Ministério Público.

O pedido menciona reportagens sobre eventos realizados em imóvel no litoral baiano entre 2021 e 2022. Em processo judicial, constam mensagens atribuídas à antiga proprietária da casa, relatando descumprimento contratual durante locações feitas por Vorcaro. Em nota divulgada à época, a defesa do empresário declarou que “repudia as informações e alegações apresentadas, que se baseiam em fonte não fidedigna e em relatos distorcidos, utilizados para construir narrativa difamatória e sensacionalista contra o empresário”.

Jessica Alexandrino
Jessica Alexandrino é jornalista e trabalha no DCM desde 2022. Sempre gostou muito de escrever e decidiu que profissão queria seguir antes mesmo de ingressar no Ensino Médio. Tem passagens por outros portais de notícias e emissoras de TV, mas nas horas vagas gosta de viajar, assistir novelas e jogar tênis.