
O Exército de Israel realiza operações militares ao longo da fronteira com o Líbano nesta terça-feira (3), em mais uma escalada de ataques no Oriente Médio. Segundo a agência Reuters, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, confirmou que autorizou o avanço de tropas para ampliar o controle territorial na região alegando combater o Hezbollah.
“O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e eu autorizamos as Forças de Defesa de Israel (IDF) a avançar e ocupar posições dominantes adicionais no Líbano, a fim de impedir disparos contra as comunidades israelenses na fronteira”, afirmou Katz em comunicado. A declaração reforça a sinalização de que o governo israelense pode intensificar a presença militar no território vizinho.
As operações terrestres ocorrem após dias de mobilização de tropas e equipamentos militares ao norte de Israel. Desde sábado, cerca de 100 mil reservistas foram convocados, e parte deles foi enviada para a fronteira com o Líbano. Do outro lado, o governo libanês informou ter retirado seu Exército de áreas ao sul do país, o que aumenta as tensões sobre uma possível invasão terrestre.
Israel diz enfrentar o Hezbollah, grupo com o qual mantinha cessar-fogo desde outubro de 2024. A trégua foi rompida no domingo, quando o país sionista atacou o Irã e o grupo libanês respondeu com mísseis. Desde então, Israel tem bombardeado o sul do Líbano e também a capital Beirute, alvo de ataques na segunda-feira e novamente nesta terça.
This’s not Gaza… this’s Lebanon
Israel just carried out 100+ of airstrike on residential areas in Lebanon, violating Security Council resolution 1701, ceasefire agreement, and international law with absolutely no consequences
This’s another war crime and the ICC remains silent pic.twitter.com/P7KaC0BjR2
— Mohamad Safa (@mhdksafa) March 2, 2026
De acordo com autoridade libanesa ouvida pela Reuters, as incursões e o reforço militar indicam que Israel pode avançar por terra nas próximas horas ou dias. Atualmente, forças israelenses já ocupam cinco posições no sul do Líbano desde novembro de 2024, período em que o cessar-fogo foi firmado.
O confronto com o Hezbollah se soma à guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. No sábado (28), forças israelenses e norte-estadunidenses lançaram bombardeios contra alvos estratégicos em território iraniano, incluindo a capital Teerã. A ofensiva matou o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, além de integrantes de alto escalão do governo e das Forças Armadas.
Segundo o Crescente Vermelho do Irã, 555 pessoas morreram desde o início dos ataques, conforme atualização divulgada na segunda-feira (2). Em retaliação, o Irã passou a disparar mísseis contra Israel e contra bases militares norte-estadunidenses na região. A troca de ataques se mantém diária, ampliando o risco de envolvimento de outros países do Oriente Médio.
Israeli attacks in Lebanon have killed more than 50 people, with Israel claiming they were a response to Hezbollah rockets and drones fired in protest of the US‑Israeli killing of Iran’s Supreme Leader. pic.twitter.com/LzOlf5OrtG
— Al Jazeera English (@AJEnglish) March 3, 2026
No domingo, autoridades dos Estados Unidos informaram que três militares do país morreram desde o início da guerra. O presidente Donald Trump reagiu prometendo resposta contundente.
“Infelizmente, haverá mais [mortes] antes que [a guerra] acabe. Mas os Estados Unidos vão vingar seus mortos e desferir o golpe mais devastador aos terroristas que travam uma guerra, basicamente, contra a civilização”, afirmou o presidente dos EUA no domingo.
Com frentes abertas no Líbano e no Irã, o conflito ganha dimensão regional e aumenta a instabilidade política e militar no Oriente Médio, elevando o temor de uma escalada ainda maior nos próximos dias.