
Uma multidão tomou as ruas de Minab, no sul do Irã, nesta terça-feira (3), para acompanhar o cortejo fúnebre das cerca de 165 meninas mortas no bombardeio a uma escola da cidade no último sábado (28), primeiro dia letivo do ano no país. Imagens que circulam nas redes sociais mostram a província de Hormozgan lotada, com moradores carregando bandeiras iranianas e prestando homenagens às vítimas.
Além de Minab, houve registros de bombardeios a uma escola a leste de Teerã, com pelo menos dois mortos, e em Abyek, onde um estudante morreu e outros ficaram feridos.
Diante dos ataques, o governo iraniano solicitou reunião extraordinária do Conselho de Segurança da ONU. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baqai, denunciou as ações de Estados Unidos e Israel como grave violação da soberania do país e pediu condenação internacional, classificando os episódios como crime de guerra.
IRAN : Aerial footage of the emotional funeral procession in Minab for the elementary school girls and teachers who were martyred on the direct orders of the US regime. Around 165 school girls were brutally killer in US-Israel Joint attack. pic.twitter.com/lf3AtDztLR
— Aditya Raj Kaul (@AdityaRajKaul) March 3, 2026
A presidenta do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), Mirjana Spoljaric, também se pronunciou. Ela destacou que hospitais, escolas e residências devem ser protegidos em conflitos armados e alertou para consequências devastadoras caso a escalada continue no Oriente Médio.
Mourners carry Iranian flags and portraits during a funeral ceremony for children killed when a primary school in Iran’s Hormozgan province was hit following US and Israeli attacks in Minab, Iran.
📷: Anadolu Agency pic.twitter.com/6J3HzSMEBd
— Al Jazeera English (@AJEnglish) March 3, 2026
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Oren Marmorstein, evitou comentar o bombardeio à escola feminina de Minab durante coletiva no domingo (1º).
Questionado por um repórter do Channel 4 News, que afirmou que Israel “carece de autoridade moral” enquanto o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu enfrenta mandado de prisão por crimes de guerra, Marmorstein foi instado a responder: “E quanto às cerca de 100 alunas mortas no ataque no Irã?”. Ele encerrou o tema dizendo: “Próxima pergunta. […] Vamos dar oportunidade a outros, por favor”.
⚡️Porta-voz da Chancelaria de Israel se nega a comentar ataque a escola feminina no Irã
Leia: https://t.co/G2ZBuoLMun pic.twitter.com/bzu09EVqtg
— RT Brasil (@rtnoticias_br) March 2, 2026
O bombardeio ocorreu no sábado, quando Israel lançou ofensiva em larga escala contra o território iraniano, alegando necessidade de “eliminar as ameaças ao Estado” israelense. Explosões foram registradas em diferentes áreas de Teerã, com relatos de impactos de mísseis. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou a participação norte-estadunidense na operação e declarou que “bombas cairão por toda parte”.
A ofensiva foi precedida por semanas de tensão envolvendo o programa nuclear iraniano. Washington e Tel Aviv pressionavam Teerã a alterar sua política nuclear, enquanto o governo iraniano defendia o direito de desenvolver tecnologia com fins pacíficos.
A vencedora do Nobel da Paz Malala Yousafzai também reagiu. Em publicação na rede X, lamentou as mortes. “Eram meninas que iam à escola para aprender, com esperanças e sonhos para o futuro. Hoje, suas vidas foram brutalmente interrompidas”, escreveu.
Ela condenou o bombardeio à escola feminina de Minab, que teria resultado na morte de pelo menos 108 estudantes. “O assassinato de civis, especialmente de crianças, é inadmissível, e eu condeno isso de forma inequívoca”, afirmou.
Malala também pediu o fim imediato da escalada de violência. “Toda criança merece viver e aprender em paz… Todos os estados e partes devem cumprir suas obrigações sob a lei internacional para proteger civis e garantir a segurança das escolas”.
They were girls who went to school to learn, with hopes and dreams for their future. Today, their lives were brutally cut short.
I am heartbroken and appalled by the U.S. and Israeli strikes on Iran, including reports that a girls’ school in southern Iran was hit, resulting in…
— Malala Yousafzai (@Malala) February 28, 2026