O avião que Nikolas pediu emprestado ao banqueiro do Master. Por Moisés Mendes

Atualizado em 3 de março de 2026 às 21:11
O deputado federal Nikolas Ferreira em 2022, viajando em campanha para Bolsonaro, ao lado da influenciadora evangélica Jey Reis, do pastor Guilherme Batista e da esposa dele, Mariel Batista. Foto: Divulgação

Por que Nikolas Ferreira quer uma investigação profunda do caso do Banco Master, se andava no avião de Daniel Vorcaro? Porque com eles da extrema direita não dá nada.

A informação sobre a mordomia no jato do banqueiro mafioso é de Johanns Eller, no Globo. Nikolas e o pastor da Lagoinha Guilherme Batista usaram jato de Vorcaro em campanha por Bolsonaro no segundo turno em 2022.

A aeronave foi utilizada para umas voltinhas em caravana que percorreu pelo menos nove Estados e o Distrito Federal. O jornal informa:

“Nikolas, que frequenta a Lagoinha, aparece em uma foto nas redes sociais diante do Embraer 505 Phenom 300 ao lado de Batista, da mulher do pastor, Mariel, e da influenciadora cristã Jey Reis, que publicou o registro”.

O jato andou pelas capitais do Nordeste, onde a extrema direita tentava reverter votos de Lula para Bolsonaro. A notícia do Globo ficou quase só no Globo, porque os jornalões não compartilham informações contra o fascismo. Só contra Lula e Alexandre de Moraes.

Se fosse o filho de Lula, teria sido manchete. Mas Nikolas sabe que a repercussão vai durar um dia, apenas no Globo e na mídia progressista.

Na convocação para o ato de domingo passado na Paulista, os jornalões anunciavam sempre que um dos pretextos para a aglomeração era o caso Master.

Fachada do Banco Master. Foto: reprodução

Nikolas, que não deve ter se esquecido de que andava no avião do banqueiro, não está preocupado. Vai dar explicações (já disse que não conhecia o dono), ganhará espaço nos jornalões e ninguém saberá mais nada das suas relações com Vorcaro.

ALHEIOS

Essa história de voar num jato cujo dono é desconhecido é velha. O cara sabe de quem é uma bicicleta, mas não sabe de quem é um jato que ele usa durante dias em visita a nove capitais e durante uma campanha eleitoral.

Se alguém perguntasse: de quem é o avião? Nikolas diria: não sei. E poderia completar: estava parado num hangar e nós embarcamos.

Como disseram os desembargadores de Santa Catarina que foram, em dezembro de 2024, a um banquete do véio da Havan em Brusque.

O Conselho Nacional de Justiça aceitou a desculpa dos magistrados (quatro julgavam processos que interessam ao empresário) de que eles entraram num micro-ônibus ou numa van e foram para Brusque sem saber de quem era a casa que iria recebê-los.

Um grupo de oito desembargadores entra numa van e sai de Florianópolis para Brusque como se participassem de uma pegadinha.

Foi o que aconteceu com Nikolas. Andou num avião que ele pode até achar que seria do Carluxo.

Moisés Mendes
Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim) - https://www.blogdomoisesmendes.com.br/