
A Polícia Federal apontou que o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, teria recorrido a um documento falsificado para obter informações sobre conversas de sua namorada, a blogueira Martha Graeff, em redes sociais.
A suspeita aparece em diálogos analisados pelos investigadores no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema de crimes envolvendo ameaça, corrupção e invasão de sistemas.
Segundo a PF, a ação teria sido executada por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”. De acordo com as investigações, ele possuía acesso a sistemas internos de órgãos públicos e utilizava esse acesso para coletar dados sigilosos e produzir documentos falsificados em nome de autoridades.
Em um dos casos citados na investigação, Sicário teria enviado um ofício ao Facebook e à empresa Meta solicitando informações sobre as interações da blogueira nas redes sociais. O documento, segundo a PF, teria sido apresentado como se fosse assinado por uma promotora, com o objetivo de obter dados sobre com quem Graeff se comunicava.
Os investigadores afirmam que esse tipo de ação fazia parte de um conjunto de estratégias usadas para monitorar pessoas e coletar informações consideradas sensíveis. A suspeita é de que os dados obtidos eram utilizados para vigiar adversários ou acompanhar conversas de interesse do grupo investigado.
De acordo com a representação que resultou na prisão dele, o banqueiro participava de um grupo de WhatsApp chamado “A Turma”. A Polícia Federal afirma que o espaço era utilizado para compartilhar informações e organizar ações de monitoramento contra alvos considerados adversários.

Ainda segundo a investigação, Sicário atuava como intermediário entre Vorcaro e pessoas que teriam acesso a informações sigilosas. O suspeito teria utilizado credenciais funcionais de terceiros para acessar sistemas restritos pertencentes a órgãos públicos.
Na decisão que autorizou as prisões, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), destacou que há indícios de acesso irregular a bases de dados protegidas por sigilo institucional.
“As investigações também apontam que Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão realizava consultas e extrações de dados em sistemas restritos de órgãos públicos, incluindo bases de dados utilizadas por instituições de segurança pública e investigação policial”, diz a decisão.
O documento também afirma que os acessos ocorreram por meio de credenciais funcionais vinculadas a terceiros. “Tais acessos teriam ocorrido mediante utilização de credenciais funcionais pertencentes a terceiros, permitindo a obtenção de informações protegidas por sigilo institucional.”
A decisão ainda aponta a possibilidade de que o investigado tenha acessado sistemas de diferentes instituições. “A partir dessa metodologia, de acordo com a autoridade policial, o investigado teria obtido acesso indevido aos sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal, e até mesmo de organismos internacionais, tais como FBI e Interpol.”