
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) elevou o nível de alerta de defesa antimíssil balístico em toda a aliança após a interceptação de um míssil iraniano direcionado à Turquia. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (5) pelo quartel-general militar da OTAN, em meio à escalada de tensões no Oriente Médio.
A medida foi adotada depois que um projétil lançado do Irã foi abatido ao atravessar o espaço aéreo turco. Segundo o Ministério da Defesa da Turquia, o míssil foi interceptado por sistemas de defesa da aliança enquanto sobrevoava a região. Autoridades turcas afirmaram que não houve vítimas ou feridos.
De acordo com o Coronel Martin O’Donnell, porta-voz do Quartel-General Supremo das Forças Aliadas na Europa, o nível de alerta permanecerá elevado por tempo indeterminado. A decisão ocorre até que a ameaça dos “ataques indiscriminados e contínuos do Irã em toda a região diminua”.
O governo turco informou que o projétil teria atravessado o espaço aéreo do Iraque e da Síria antes de ser neutralizado pelos sistemas antimísseis posicionados no leste do Mar Mediterrâneo. Fragmentos do artefato teriam caído na província de Hatay, no sul da Turquia.
O caso aumentou as preocupações dentro da aliança militar ocidental. Como a Turquia é integrante da OTAN, qualquer agressão ao território do país pode gerar repercussões diretas para todos os membros do bloco, ampliando o risco de expansão do conflito.

Autoridades em Ancara afirmaram que o país mantém o direito de reagir a qualquer ataque contra seu território. Em comunicado, o Ministério da Defesa declarou: “Todas as medidas necessárias para defender nosso território e espaço aéreo serão tomadas… (e) reservamo-nos o direito de responder a quaisquer ações hostis”.
O governo turco também indicou que seguirá em diálogo com os aliados da OTAN. O comunicado acrescenta: “Continuaremos a consultar a OTAN e nossos outros aliados”.
Entre as possibilidades previstas pela aliança está a invocação do Artigo 4, mecanismo que permite consultas entre os países membros quando a segurança de um deles é considerada ameaçada. Em casos mais graves, a situação poderia levar à aplicação do Artigo 5, que estabelece a defesa coletiva.
Até o momento, no entanto, autoridades turcas não confirmaram a intenção de ativar o dispositivo. O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que não há sinais de que o episódio leve à aplicação do Artigo 5, utilizado apenas uma vez na história da OTAN, após os ataques de 11 de setembro de 2001.
Os Estados Unidos mantêm presença militar na base aérea de Incirlik, no sul da Turquia, próxima à área onde teriam caído os destroços do míssil interceptado. Ancara afirma que a instalação não foi utilizada nos ataques aéreos recentes contra o Irã que desencadearam a atual sequência de ofensivas com mísseis e drones.
O governo iraniano não comentou imediatamente o caso envolvendo a Turquia. Em outra declaração, o porta-voz iraniano Abbas Araqchi afirmou que os ataques recentes tinham como alvo apenas interesses dos Estados Unidos na região, e não países aliados como o Catar.