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Por que o sicário se matou. Por Moisés Mendes

Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, posando para foto de camiseta branca e boné, sério, olhando para a câmera
Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário” – Reprodução

Até o estagiário das gangues do PCC com as fintechs da Faria Lima sabe. O sicário de Daniel Vorcaro não se matou por temer a Justiça.

Ele não era nada, era um mandalete no esquema do mafioso. Iria se salvar sem muito esforço. Conversei com cinco jornalistas que não viajam na maionese como muitos andam viajando.

Sicário morreu (está em morte cerebal) porque seria assassinado pelos próprios comparsas, não por queima de arquivo, mas porque dizia para Vorcaro que pagava todo mundo e não era bem assim.

O resumo é esse, é o mesmo que aparece em filmes clássicos e documentários sobre máfias: os indícios são de que o sicário ficava com parte do dinheiro do varejo que ele recebia de Vorcaro e dizia distribuir a quem poderia ‘proteger’ o esquema.

O pastor da Lagoinha Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Foto: reprodução

Enquanto isso, o pastor e empresário Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro, ficava com as tarefas do atacado, dando dinheiro a Bolsonaro, a Tarcísio de Freitas e ao centrão.

Vamos parar com as suspeitas de novos ‘especialistas’ em suicídio, segundo os quais é impossível enforcar-se com uma camiseta. É só pesquisar o assunto.

Parem um pouco com as teorias sobre conspirações e morte planejada dentro da cadeia. O sicário pode ter se matado porque iriam descobrir, quando a casa caiu, que ele lograva a própria turma. Ele podia estar comendo parte da bola de R$ 1 milhão mensais que deveria passar adiante.

O grande arquivo de Vorcaro não está morto, está vivo. Não era o sicário 171 (envolvido em estelionatos, roubo de veículos para desmanche, golpes na internet e clonagem de cartões de crédito),
que deveria assustar ou ‘calar’ inimigos, mas o pastor Fabiano Campos Zettel.

(Cumpro com o protocolo que o jornalismo deve cumprir ao final de textos sobre suicídio. Quem precisa de ajuda para si ou para outros deve buscar suporte e entrar em contato com o número 188 do CVV (Centro de Valorização da Vida), que funciona 24 horas.)