
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, tentou vender um apartamento de luxo investigado como possível propina ao ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, no mesmo dia em que foi preso pela Polícia Federal. O imóvel fica no empreendimento Vizcaya Itaim, em São Paulo, próximo à avenida Brigadeiro Faria Lima.
Segundo a coluna de Natália Portinari no UOL, a investigação do Ministério Público Federal (MPF) já apontava suspeitas de que o apartamento teria sido adquirido para beneficiar Paulo Henrique Costa. Vorcaro tinha conhecimento da apuração em andamento antes de ser preso.
E-mails obtidos pela CPMI do INSS indicam que Vorcaro tentou transferir a titularidade do imóvel a terceiros em 17 de novembro, data em que foi detido no Aeroporto de Guarulhos ao tentar embarcar para o exterior. A defesa de Paulo Henrique afirmou que desconhece qualquer investigação sobre o caso e declarou que ele “nega as suspeitas e não tem nenhum conhecimento sobre a venda desses imóveis”.
O apartamento está registrado em nome da Viking, empresa do grupo de Vorcaro responsável também pelas aeronaves utilizadas pelo banqueiro. Dois meses antes da prisão, Vorcaro vendeu 55% do controle da companhia para um fundo administrado pela Reag e deixou formalmente a administração da empresa.

Investigadores interpretam essa venda como uma tentativa de criar distanciamento formal entre Vorcaro e seu patrimônio. Mesmo assim, mensagens mostram que o vínculo do banqueiro com a empresa e com o imóvel continuava ativo no período.
A negociação começou em 14 de novembro, quando uma representante da imobiliária Victorino Imóveis pediu à incorporadora do empreendimento documentos necessários para a venda. Em um dos e-mails, ela informou: “O valor da cessão é de R$ 60 milhões”.
As mensagens também mostram a atuação do ex-advogado-geral da União Bruno Bianco como advogado de um possível comprador. Ele afirmou que participou apenas como consultor jurídico e que a orientação dada ao cliente foi para que a compra não fosse realizada.
No dia da prisão, a tentativa de concluir a venda se intensificou, com pedidos urgentes de documentos para assinatura digital. No entanto, apenas parte da documentação foi liberada pela incorporadora e a transação não chegou a ser finalizada. Naquela noite, Vorcaro foi preso em Guarulhos, e no dia seguinte o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master.