
O nome e o número de celular do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes aparecem na agenda do ex-banqueiro Daniel Vorcaro desde 26 de dezembro de 2023, segundo dados extraídos do aparelho apreendido pela Polícia Federal. As informações vieram à tona após a divulgação de mensagens atribuídas ao empresário no contexto das investigações sobre o colapso do Banco Master, que envolve um rombo estimado em cerca de R$ 50 bilhões.
Mensagens trocadas no dia da primeira prisão de Vorcaro, em 17 de novembro de 2025, colocaram Moraes no centro do debate político e jurídico sobre o caso. As supostas conversas, reveladas pelo Globo, incluem gravações de tela enviadas por WhatsApp em mensagens de visualização única, que desaparecem após serem lidas.
As imagens analisadas pela Folha mostram nove gravações de tela que teriam sido enviadas ao ministro naquela data. No celular do ex-banqueiro também foram encontradas anotações registradas no aplicativo de notas com horários semelhantes aos das mensagens. As respostas atribuídas a Moraes, no entanto, não aparecem nos registros.

O ministro negou ter recebido as mensagens. Em nota divulgada nesta sexta-feira (6), a assessoria do STF informou que os prints das mensagens enviadas por Vorcaro “estão vinculados a pastas de outras pessoas de sua lista de contatos e não constam como direcionados” ao ministro.
A defesa do ex-banqueiro pediu ao Supremo a abertura de uma investigação para apurar o vazamento de informações sigilosas extraídas dos celulares apreendidos. Segundo os advogados, o espelhamento dos dados foi entregue à defesa apenas no dia 3 de março.
Além das mensagens, conversas interceptadas entre Vorcaro e sua ex-noiva, a influenciadora Martha Graeff, mencionam ao menos cinco encontros entre o empresário e o ministro ao longo de 2024 e 2025, além de um jantar que estaria sendo organizado.
Em uma das mensagens, Vorcaro afirmou que estava com Moraes em sua casa por volta da meia-noite de 20 de março do ano passado, quando o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o senador Ciro Nogueira (PP-PI) chegaram ao local. Em outra conversa, ele escreveu que estava “indo encontrar Alexandre [de] Moraes aqui perto de casa”
As conversas também citam reuniões realizadas em maio e agosto do mesmo ano. Em um dos registros, o ex-banqueiro afirmou: “Estou com Alexandre e tenho reunião depois com Ciro”. Nessa ocasião, não há menção ao sobrenome do ministro.
Outro ponto que aproximou Moraes do caso foi a contratação, pelo Banco Master, do escritório de familiares do ministro para atuar na defesa dos interesses da instituição. Segundo reportagem publicada em dezembro pelo jornal O Globo, o contrato previa pagamentos de R$ 3,6 milhões mensais e poderia alcançar R$ 129 milhões até 2027.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) arquivou posteriormente um pedido de investigação sobre a atuação de Moraes no caso e sobre o contrato com o escritório, afirmando não ter identificado irregularidades.
As mensagens obtidas pela Polícia Federal também citam a participação de Moraes e Vorcaro na organização do Fórum Jurídico do Brasil de Ideias, realizado em Londres em abril de 2024 e patrocinado pelo ex-banqueiro. Segundo os diálogos, o ministro teria influência na definição da lista de convidados do evento.