
O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, poderá deixar o PSOL e se filiar a um novo partido durante o período da chamada janela partidária, iniciado nesta quinta-feira (5). A tendência, segundo interlocutores políticos, é que o ministro se filie ao PT, legenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Cumprindo agenda oficial em Teresina (PI), Boulos afirmou estar insatisfeito com posições adotadas por dirigentes do PSOL, partido pelo qual foi eleito deputado federal por São Paulo. Em conversa com um jornalista local, o ministro criticou disputas internas na legenda e defendeu maior unidade política em torno do governo federal.
“Tem umas pessoas no PSOL se apegando a coisas pequenas, a detalhes, em detrimento de um projeto maior de pais que vem sendo liderado pelo presidente Lula. Não podemos ficar presos a bolhas e pequenos detalhes”, disse.
Para Boulos, o momento político exige alinhamento das forças de esquerda em torno da continuidade do atual governo. Segundo ele, o objetivo central deve ser a reeleição de Lula nas eleições presidenciais.
“As esquerdas, todas precisam se unir e falar uma só linguagem nessa campanha que se aproxima. Temos de reeleger o presidente Lula para evitar retrocessos como os que aconteceram no desastre que foi o governo passado”, afirmou.
Durante a agenda no Piauí, Boulos participou, ao lado do ministro Wellington Dias, da sétima edição do programa Governo do Brasil na Rua, iniciativa que leva serviços públicos gratuitos à população. O evento ocorreu no Ginásio Arena Verdão, em Teresina.
Na parte da tarde, os ministros também participaram da inauguração da Cuidoteca da Universidade Federal do Piauí, localizada no Centro de Ciências da Educação Professor Mariano da Silva Neto, no campus da Ininga.

A janela partidária permite que parlamentares troquem de legenda sem perder o mandato. O mecanismo está previsto no artigo 22-A da Lei dos Partidos Políticos (Lei nº 9.096/1995) e ocorre sempre em ano eleitoral, sete meses antes das eleições gerais.
Neste ano, o período vai de 5 de março a 3 de abril. A regra vale para deputados federais, estaduais e distritais. Já ocupantes de cargos majoritários, como presidente da República, governadores e senadores, podem mudar de partido a qualquer momento sem necessidade de justificar a saída.
No mesmo contexto político, o diretório nacional do PSOL decidiu neste sábado (7) apoiar a reeleição de Lula já no primeiro turno das eleições presidenciais. A decisão foi aprovada por unanimidade pela direção nacional da legenda.
“O Diretório Nacional do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) aprovou resoluções estratégicas que definem os rumos da legenda para o próximo ciclo eleitoral. O partido formalizou, de modo unânime, o apoio à reeleição do presidente Lula e confirmou a manutenção da federação com a Rede Sustentabilidade por mais quatro anos”, afirmou o partido em nota.
Apesar do apoio ao presidente, o PSOL rejeitou a proposta de integrar a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV. Segundo a presidente nacional da sigla, Paula Coradi, o tema foi debatido internamente.
“O tema foi acolhido e, assim como os demais, debatido de modo democrático e amplo, conforme nossa tradição partidária. Vamos seguir agora orientados pelas decisões hoje tomadas, mas sempre com respeito a posições divergentes”, declarou.