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Daniel Vorcaro tem novos celulares apreendidos pela Polícia Federal

Vorcaro na prisão — Foto: Reprodução

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teve mais três celulares apreendidos pela Polícia Federal durante sua prisão em São Paulo, na última quarta-feira (4). Com isso, a investigação sobre o esquema bilionário de fraudes financeiras, que envolvem corrupção e lavagem de dinheiro, se expande, e agora os investigadores têm um total de oito celulares do banqueiro para análise.

Os aparelhos apreendidos ainda estão lacrados e não passaram por perícia. Até o momento, o conteúdo de apenas um celular foi analisado, com cerca de 30% do material já examinado pelas autoridades. A polícia tem avançado na investigação e, com os novos dispositivos, a expectativa é de que a análise acelere, já que é necessário extrair dados de todos os aparelhos para aprofundar a apuração.

Essas informações foram repassadas aos auxiliares do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). A Polícia Federal e o gabinete de Mendonça devem se reunir na próxima semana para discutir o andamento das investigações e definir os próximos passos. Dada a complexidade do caso, os investigadores avaliam que serão necessários mais peritos, técnicos e analistas para dar celeridade à extração de dados dos aparelhos.

A prisão de Vorcaro ocorreu em uma nova fase da operação Compliance Zero, que investiga fraudes no Banco Master. A ordem de prisão foi decretada após a análise de mensagens de um dos celulares do empresário, que indicam tentativas de interferência em decisões regulatórias, além de ameaças e corrupção. Essas mensagens incluem referências a políticos e autoridades de alto escalão, e a análise do conteúdo obtido até agora tem revelado a extensão do esquema de fraude.

Daniel Vorcaro chegando à prisão. Foto: reprodução

Além das apreensões, a Justiça determinou o bloqueio de cerca de R$ 22 bilhões em bens de Vorcaro, como forma de ressarcir os danos ao sistema financeiro. Atualmente, o banqueiro está detido na Penitenciária Federal de Brasília, uma unidade de segurança máxima. Sua cela, de apenas 6 metros quadrados, não tem TV, e ele compartilha a unidade com outros criminosos de alta periculosidade.

Em uma reviravolta no caso, a defesa de Vorcaro solicitou ao STF acesso completo aos dados de perícia dos celulares apreendidos. A defesa alega que há vazamentos de informações sigilosas dos aparelhos, o que tem sido usado para expor e humilhar o cliente. Para os advogados, a divulgação de fotos de Vorcaro dentro da unidade prisional também seria uma tentativa de desgastá-lo publicamente.

Além de tentar reverter a situação, a defesa de Vorcaro afirmou que pedirá a instauração de um inquérito para apurar a origem dos vazamentos. A informação veio à tona após o conteúdo de mensagens trocadas entre Vorcaro e sua namorada, a modelo Martha Graeff, ser revelado. Essas mensagens discutem encontros, viagens e diálogos com figuras políticas, incluindo os nomes de figuras como Ciro Nogueira, Lula, Bolsonaro e ministros do STF.

A operação segue em andamento, com o foco na investigação das fraudes bancárias e no envolvimento de Vorcaro e sua rede de contatos em crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.