
O Brasil está mergulhado num processo de degeneração institucional, político e moral sem precedentes, atingindo todas as instâncias em cada uma dessas áreas, com raras exceções individuais. Essa situação não se reverterá espontaneamente. É fundamental, diante da degradação do próprio sistema político partidário, ele próprio atingido pela corrupção e degradação ética, que a Sociedade Civil, neste ano eleitoral decisivo para o futuro, se erga para defender seus valores morais e éticos, assim como as bases do desenvolvimento sustentável do País.
O primeiro desafio a ser enfrentado, na esfera econômica, consiste em promover uma ruptura radical com o rentismo (Selic a 15%), situação em que um bilionário, sem fazer nada, ganha nada menos do que R$ 400 mil por dia, com o falso pretexto de combate à inflação. Trata-se de um insulto a milhões de brasileiros, cujo salário mínimo mensal é inferior a R$ 2 mil. Essa política monetária contracionista é acompanhada de uma política fiscal igualmente restritiva, do que resulta a migração dos setores produtivos para a especulação financeira desenfreada. Isso é fruto da idolatria do dinheiro, autoalimentada, com evidentes consequências morais.
Por isso estamos lançando a campanha “VAMOS MOBILIZAR O BRASIL”. Ela seguirá junto com uma das mais importantes iniciativas da Sociedade Civil para enfrentar problemas concretos brasileiros, a Campanha da Fraternidade da CNBB deste ano. A dura situação das cidadãs e cidadãos sem casa, destacada pela CNBB, reflete a indiferença das classes dominantes e do sistema político partidário diante do imperativo de atacar os alicerces da degradação material do povo que, sem teto, tem imensas dificuldades de alcançar direitos fundamentais garantidos pela Constituição. Na verdade, o Estado no Brasil se tornou um guardião dos interesses apenas dos ricos.
Outro ponto essencial a ser enfrentado refere-se aos direitos e proteção das mulheres. É inaceitável o crescente número de feminicídios que ocorrem no Brasil a cada ano, a despeito de que já se completaram 11 anos desde a aprovação pelo Congresso da Lei Maria da Penha. Isso sugere a necessidade de novas iniciativas sociais e institucionais nessa área que visem a buscar consequências práticas em termos de redução das ocorrências, não apenas no campo legal (agravamento das penas para os criminosos), mas também no campo educacional.
Assim, convocamos os nacional desenvolvimentistas a se unirem com o objetivo de fazer das próximas eleições o momento propício para uma virada histórica nas condições degradadas do País. Como não podemos contar, para essa tarefa, com o sistema político-partidário como um todo – por estar também ele em grande parte corrompido -, nos juntaremos a outras instituições da Sociedade Civil para conduzirmos uma campanha transversal aos grandes partidos, negociando alianças com os pequenos – desde que não tenham sido capturados pela corrupção – uma pauta comum que supere a falsa polarização ideológica que atravanca nosso desenvolvimento.
Nesse sentido, submeteremos aos eleitores uma agenda objetiva a ser proposta, via internet, por comitês eleitorais interconectados em todo o País, para debates e mobilização candidatos individuais ao Congresso conectados entre si. Nosso intuito é obtermos deles, de acordo com seus interesses e de suas necessidades materiais objetivas – e não pelas razões ideológicas que acobertam uma falsa polarização entre os grandes partidos, já que todos ou quase todos partilham os mesmos objetivos corruptos e não republicanos -, um compromisso efetivo para conquistarmos uma maioria expressiva no Parlamento. Sabemos que isso será difícil diante das forças poderosas, ajudadas inclusive do exterior, que lutarão para manter a situação atual que as favorece, através de um Congresso cooptado e dominado por retrógrados. Confiamos, porém, na possibilidade de vitória. E essa confiança se baseia especialmente na revolta do povo contra a situação degradante presente, acentuada pelas travas impostas ao País pela política econômica recessiva.
Para termos participação na campanha eleitoral como voz do povo, criaremos em todo o País uma rede online de comitês nas capitais e grandes cidades, estruturada por sindicatos, igrejas autênticas e outras entidades da Sociedade Civil. Estes não dependerão de muitos recursos para funcionar já que estarão conectados pela internet e contarão com a participação de voluntários. Nesses comitês, serão debatidos, sempre pela internet – sites, podcasts, blogs etc-, e transversalmente a partidos políticos, no início, os principais temas de interesse nacional e local, levantados por cidadãs e cidadãos ativistas que se interessem, eles próprios, a candidatar-se às eleições, ou que preferem escolher e apoiar outros candidatos. É importante que os comitês sejam orientados por um Conselho Executivo que determine as estratégias da campanha e a pauta dos debates, para assegurar uma uniformidade de objetivos.

PAUTA DOS DEBATES – As principais propostas concretas que pretendemos debater nos comitês, antes discutidas no Conselho Superior, são as seguintes:
Área habitacional
Tencionamos fazer, seguindo os passos da CNBB, um movimento nacional pelo amplo acesso à casa própria por parte das classes médias e, principalmente, das camadas mais vulneráveis da população.
Para as classes médias, defenderemos a redução drástica do preço e melhora da qualidade das habitações, de acordo com projeto em desenvolvimento no Paraná com o nome de Ecoparque (ver: ecoparque.com.br/vídeo). Para as classes de renda mais baixa, nossa luta será melhorar a qualidade e expandir drasticamente o projeto do Governo Minha Casa Minha Vida (ver 55 Perguntas e Respostas sobre o programa na internet), reduzindo o custo das unidades habitacionais e garantindo sua segurança contra marginais.
O acesso à habitação deve ser entendido como porta de entrada para outros direitos fundamentais que o Governo deve assegurar ao povo, como saneamento básico, saúde, educação, transportes e serviços públicos, entre outros. A campanha da CNBB visa justamente chamar a atenção do País para essa causa. Em nome da eficácia, deve-se seguir o modelo do SUS para os setores essenciais de educação, segurança e saneamento básico.
Na era dos desastres climáticos extremos (ver adiante a questão econômica relacionada com esse item), é preciso que os programas habitacionais dos governos tenham como prioridades as áreas mais vulneráveis a enchentes e inundações, notadamente favelas, que devem ser focos para os projetos.
Os governos devem estabelecer também programas preventivos de caráter geral para enfrentar os desastres climáticos extremos, promovendo sua ampla difusão no País, já que é impossível saber quando e onde ocorrerão especificamente. Assim, deve-se criar um protocolo para a ação pública e privada mais adequada nas regiões sujeitas a desastres mais frequentes, com orientação para resposta rápida, prevenção e reconstrução.
Proteção às Mulheres
Consolidação de projetos de lei que já circulam na Câmara dos Deputados com vistas a agravar as punições penais para crimes de feminicídio, e discussão e aprovação de protocolos para a ação policial, com validade em todo o País, de forma a assegurar real proteção às mulheres que recorram ou denunciem à autoridade pública os riscos e ameaças que estão sofrendo.
Área ambiental
Concentração de esforços dos setores público e privado para proteção do meio ambiente, incluindo os biomas Amazônico, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pampa, e Pantanal.
Combate sistemático e permanente ao desmatamento e garimpo ilegais na Amazônia e em outros biomas, com participação dos povos originários e, eventualmente, de países vizinhos, os quais devem receber para isso proteção especial de forças integradas de segurança.
Criação de alternativas de trabalho, como Arranjos Produtivos Locais e Regionais, para desviar de atividades ilegais garimpeiros, grileiros e madeireiros, especialmente para evitar conflitos com indígenas.
Acordos com países amazônicos da América do Sul para realização de iniciativas conjuntas de proteção e desenvolvimento sustentável desse ecossistema, sempre considerando as peculiaridades e os interesses da população local.
