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“Sicário” de Vorcaro tinha medo de voltar à prisão e era amigo do cunhado do banqueiro

Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, posando para foto de camiseta branca e boné, sério, olhando para a câmera
Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário” – Reprodução

Luiz Phillipi Machado Mourão, o “sicário” de Daniel Vorcaro, demonstrava um grande medo de ser preso novamente. Nos últimos anos, ele expressava essa aversão a voltar para a prisão a interlocutores próximos. Aos 43 anos, Mourão acabou morrendo após tentar tirar a própria vida na prisão da Polícia Federal, em Belo Horizonte, na noite de 4 de março de 2026, logo após ser detido na terceira fase da Operação Compliance Zero. Sua morte, confirmada pela defesa após a conclusão do protocolo de morte cerebral, ocorre em um contexto de profundas investigações sobre os crimes envolvendo o Banco Master e seus aliados.

Mourão se aproximou de Daniel Vorcaro através de Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro e empresário de longa data. Além de ser amigo próximo de Zettel, Mourão também frequentava a Igreja Batista da Lagoinha, onde Zettel ministrava cultos. Esse vínculo fortaleceu sua posição dentro do grupo criminoso que operava com violência, intimidação e lavagem de dinheiro, e o levou a coordenar uma rede de hackers e milicianos.

O grupo de Mourão, denominado “A Turma”, atuava como uma espécie de milícia privada a serviço de Vorcaro, com a missão de intimidar adversários, coletar informações sigilosas e garantir o controle sobre os negócios ilícitos do banco. A Polícia Federal identificou que Mourão operava um bunker de hackers em Belo Horizonte, com acesso a sistemas de órgãos de segurança, como a Polícia Federal e até a Interpol, para monitorar figuras de interesse e obter informações confidenciais. Em algumas mensagens apreendidas, Mourão foi instruído a intimidar e até agredir fisicamente jornalistas investigativos, como o colunista Lauro Jardim, do O Globo.

“Sicário” ao dar entrada na Superintendência da PF em MG. Foto: reprodução

Com uma longa ficha criminal, Mourão foi preso pela primeira vez aos 20 anos, em 2003, por receptação de veículos roubados, e desde então sua trajetória foi marcada por envolvimento com crimes como clonagem de cartões e organização criminosa. No entanto, foi a sua atuação em esquemas de pirâmide financeira e lavagem de dinheiro que o tornou um dos principais aliados de Vorcaro. Entre 2018 e 2021, Mourão movimentou cerca de R$ 24,9 milhões, o que levantou suspeitas sobre sua origem e destino dos recursos. Ele também foi alvo de diversas investigações relacionadas a crimes financeiros.

Mourão estava diretamente envolvido em crimes que resultaram em prejuízos milionários e, mesmo após ser preso em 2020, sua influência continuou dentro da estrutura criminosa do Banco Master. Ele coordenava atividades financeiras ilegais e operava diversas empresas de fachada que serviam para ocultar recursos obtidos de forma ilícita. Além disso, a investigação da Polícia Federal apontou que ele usava empresas como a King Motors e King Participações Imobiliárias para viabilizar o pagamento e o financiamento das atividades criminosas.

Sua morte, após tentativa de suicídio, põe fim a uma história de envolvimento com atividades criminosas que afetaram a segurança financeira e a integridade de muitas pessoas. A prisão de Mourão e sua morte representam um capítulo importante nas investigações sobre a rede criminosa que cercava o Banco Master e seus aliados. A Polícia Federal segue investigando os detalhes dessa trama de lavagem de dinheiro e intimidação, enquanto a morte de Mourão acrescenta mais uma camada de complexidade ao caso Vorcaro.