Família unida é uma coisa linda. O economista e escritor Eduardo Giannetti afirmou estar “estarrecido” com as suspeitas envolvendo os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli e Alexandre de Moraes no contexto da crise do Banco Master.
Em entrevista ao Estadão, classificou os episódios como graves e apontou que o tema pode abrir debate institucional sobre a permanência dos magistrados na Corte.
“Eu me confesso estarrecido. Primeiro, pelo fato de o ministro Toffoli ter aceito se tornar o relator, sendo sócio de uma empresa da família que recebeu um enorme aporte de venda de ativos para o banco. É inconcebível que isso aconteça”, afirmou.
O economista também comentou a situação envolvendo Alexandre de Moraes e a relação do magistrado com o banqueiro Daniel Vorcaro. “O outro fato é a esposa de um ministro do Supremo (Alexandre de Moraes) ser prestadora de serviço do Banco Master, recebendo uma quantia exorbitante, sem um objeto claro de qual é o serviço. E, agora, a revelação mais recente é o grau de proximidade pessoal entre o ministro Moraes e o ex-banqueiro Vorcaro, com muitos encontros, situações muito informais e algumas delas mal explicadas.”
Ao avaliar o impacto institucional do caso, Giannetti disse que o tema poderia levar à discussão sobre impeachment de ministros do Supremo. “São dois casos da maior gravidade. Eu acho, na minha modesta opinião, que a questão do impeachment de ministro do Supremo é pertinente nesses dois casos.”
O filho de Giannetti, Joel Pinheiro da Fonseca — colunista da Folha de S.Paulo e comentarista da GloboNews — se manifestou recentemente sobre o papel do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no cenário político.

Em artigo publicado na Folha, respondendo ao colega Celso Rocha de Barros, Joel escreveu que o parlamentar não representaria ameaça à democracia brasileira. “Pelas evidências que temos, Flávio foi contrário ao golpe tentado por Bolsonaro. Mauro Cid, em sua delação, colocou Flávio no grupo dos que se opunham ao golpe. Ele aconselhava Jair a mandar os acampados para casa, deixar o poder pacificamente e virar o líder da oposição. Se tivesse sido ouvido, Jair e Eduardo estariam livres”, escreveu.
“O Supremo não dá quaisquer mostras de que deixará de colocar o ‘STF Futebol Clube’ acima de tudo. O impeachment de ministros, portanto, seguirá na mesa. Políticos —bolsonaristas como Flávio e não bolsonaristas como Alessandro Vieira— continuarão a martelá-lo. E nem por isso ameaçam nossa democracia.”
Flávio Bolsonaro tem defendido a aprovação de um projeto de anistia para investigados e condenados pelos atos golpistas ocorridos após as eleições de 2022. Afirmou categoricamente que o candidato apoiado por seu pai em 2026 — qual seja, ele — precisará garantir um indulto ao ex-presidente. Se o STF tentar anular esse perdão, diz Flávio, o “uso da força” poderá ser necessário para garanti-lo.
Uso de força chama-se golpe. Os Bolsonaros e os Fonsecas sabem disso, mas querem enganar os trouxas.
