
O presidente norte-americano Donald Trump afirmou nesta segunda-feira (9) que Cuba enfrenta uma grave crise humanitária e sugeriu a possibilidade de uma “aquisição amigável” da ilha pelos Estados Unidos. A declaração foi feita durante coletiva de imprensa em Doral, na Flórida, onde o republicano também comentou a atuação do secretário de Estado Marco Rubio na condução do tema.
Segundo Trump, a situação econômica e energética de Cuba é crítica e estaria sendo acompanhada pela diplomacia estadunidense. “Ele está tratando (do assunto) e eles vão chegar a um acordo. Ou nós faremos isso de qualquer jeito, tanto faz”, disse o líder de extrema-direita ao comentar a atuação de Rubio. Questionado por jornalistas sobre a forma como esse processo ocorreria, Trump afirmou que o método não seria o principal ponto da discussão.
Durante a mesma conversa com a imprensa, o republicano descreveu o cenário atual da ilha caribenha como extremamente frágil. “Eles [de Cuba] estão realmente reduzidos a… como dizem, fumaça. Eles não têm energia, não têm dinheiro”, afirmou Donald Trump.
Trump on Cuba:
They will either make a deal, or we will do it just as easy anyway. pic.twitter.com/BIdLelXaD3
— Clash Report (@clashreport) March 9, 2026
O governo cubano declarou que não participa de nenhuma negociação de alto nível com os Estados Unidos. Ainda assim, autoridades da ilha não negaram completamente relatos da imprensa de que representantes estadunidenses estariam mantendo conversas informais com Raul Guillermo Rodríguez Castro, neto do ex-presidente cubano Raúl Castro.
Entre exilados cubanos que vivem nos Estados Unidos, especialmente na região de Miami, a possibilidade de mudança no regime político da ilha é um tema recorrente. Grupos dessa comunidade historicamente se opõem ao governo instaurado após a revolução liderada por Fidel Castro.
As declarações de Trump sobre Cuba ocorreram poucos dias após o presidente afirmar que uma eventual ofensiva contra a ilha seria apenas “uma questão de tempo”. A fala foi feita na quinta-feira (5), durante cerimônia na Casa Branca para receber o clube Inter Miami, campeão da Major League Soccer.
Na ocasião, Trump afirmou que a prioridade do governo estadunidense seria concluir primeiro o conflito envolvendo o Irã. “Acho que queremos consertar, terminar essa primeiro”, declarou, ao comentar as operações militares conduzidas pelos Estados Unidos em conjunto com Israel.
Durante o evento, o presidente também mencionou o empresário cubano-estadunidense Jorge Mas, proprietário do Inter Miami, e fez referência ao futuro político da ilha caribenha. “É uma questão de tempo até que você e outras pessoas inacreditáveis voltem pra Cuba, espero que não pra ficar, queremos você de volta, não queremos te perder”.
Os Estados Unidos mantêm um embargo econômico e energético contra Cuba desde a década de 1960, medida que tem impacto direto na economia do país. Nos últimos meses, a ilha enfrenta escassez de energia, dificuldades de abastecimento e pressão econômica crescente.