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O destino e os novos donos do jato de luxo de Vorcaro, vendido na véspera de sua prisão

Gulfstream G700, avião semelhante ao utilizado por Vorcaro. Foto: reprodução

Um dia antes de ser preso pela Polícia Federal na terceira fase da Operação Compliance Zero, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teve um de seus principais ativos fora do país. O jato executivo Gulfstream G700 utilizado pelo empresário deixou o Brasil no dia 3 de março com destino a San Marino, pequeno país localizado na região da Itália.

Documentos obtidos pelo Globo mostram que a aeronave foi exportada oficialmente na véspera da prisão do banqueiro, ocorrida em 4 de março, em São Paulo. No mesmo processo, a matrícula do avião foi cancelada junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O modelo havia sido fabricado em 2024 nos Estados Unidos e adquirido por Vorcaro em junho de 2025.

Após a saída do Brasil, o avião passou a ter um novo proprietário. A aeronave foi adquirida pela Flexjet, empresa de aviação executiva que opera no modelo de propriedade compartilhada de jatos e atende clientes de alto padrão. A companhia tem sede nos Estados Unidos e mantém operações na Europa, com planos de expansão global.

Na prática, o jato não estava registrado diretamente em nome de Daniel Vorcaro, o que fez com que o bem não fosse bloqueado durante as medidas judiciais da Operação Compliance Zero. Segundo os registros da Anac, a aeronave pertencia à empresa PS-MGG Administração de Bem Próprio S.A., sediada em Barueri, na região metropolitana de São Paulo.

A companhia é controlada por Marcus Vinícius da Matta, que aparece nos dados da Receita Federal como presidente da Prime You, operadora de jatos e propriedades de luxo associadas a Vorcaro e seus sócios. A empresa também figura como proprietária de outros bens utilizados pelo banqueiro, como uma mansão em Brasília e o iate Benetti Oasis 40M, equipado com dez cabines.

O Gulfstream G700 é considerado um dos jatos executivos mais luxuosos do mundo e integra a frota utilizada por bilionários como Elon Musk, proprietário da Tesla, StarLink e da rede social X, e Jeff Bezos, fundador da Amazon.

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: reprodução

Foi nesse avião que a influenciadora Martha Graeff, então namorada de Vorcaro, estava a caminho da Europa quando o banqueiro foi preso pela primeira vez, em novembro de 2025. O voo havia decolado de Miami, mas a aeronave retornou ao Brasil quando sobrevoava o Oceano Atlântico, próximo ao chamado Triângulo das Bermudas. O relacionamento entre os dois terminou posteriormente.

O Gulfstream G700 possui autonomia para percorrer cerca de 14.353 quilômetros sem escalas, permitindo voos diretos entre cidades como São Paulo e Dubai ou Londres.

A aeronave pode transportar até 19 passageiros, embora a configuração mais comum acomode entre 13 e 15 pessoas com maior conforto. O interior inclui poltronas feitas à mão que podem ser convertidas em camas ergonômicas e até mesmo uma suíte privativa. O jato é operado por uma tripulação de três profissionais.

De acordo com registros da Anac, o valor total pago pelo avião chegou a R$ 538 milhões, considerando os impostos de nacionalização. O preço declarado da importação foi de R$ 435 milhões, enquanto o modelo era ofertado no mercado por cerca de R$ 415 milhões.

Após deixar o Brasil, o jato foi registrado na Administração Federal de Aviação (FAA), órgão que regula a aviação civil nos Estados Unidos, recebendo a matrícula N103FX. O certificado foi emitido no mesmo dia da prisão de Vorcaro.

A nova proprietária da aeronave, a Flexjet, tem ampliado sua frota para expandir as operações internacionais. Em 2024, a empresa captou cerca de US$ 800 milhões em investimentos, na maior rodada já registrada na aviação executiva.

O aporte foi liderado pela gestora internacional L Catterton, que tem entre seus principais acionistas o grupo LVMH, dono da marca Louis Vuitton. Também participaram da operação o grupo KSL Capital Partners e o J. Safra Group.

No mesmo período, a Flexjet anunciou a compra de 182 aeronaves da Embraer, com opção de adquirir mais 30 unidades. O contrato, avaliado em até US$ 7 bilhões, tornou-se o maior pedido de jatos executivos da história da fabricante brasileira, envolvendo os modelos Praetor 600, Praetor 500 e Phenom 300E.