
A assessoria de imprensa da Igreja Batista da Lagoinha divulgou uma nota oficial alegando que afastou o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, do “pastoreio” da igreja de Belvedere, em Belo Horizonte (MG), em novembro de 2025, logo após o início das investigações sobre o escândalo do caso do Banco Master.
“Fabiano Zettel foi afastado do pastoreio da Lagoinha Belvedere ainda em novembro de 2025, tão logo as primeiras informações públicas relacionadas ao caso começaram a surgir. Desde então, ele não exerce qualquer função pastoral ou institucional na Lagoinha”, disse a igreja ao jornal O Globo.
Zettel, que atuava como pastor voluntário, foi preso pela primeira vez em 2025 e, na semana passada, detido novamente, após novas investigações indicarem que ele fazia parte de um grupo operado por Vorcaro contra seus adversários.
A Lagoinha afirmou ainda que Zettel, que entrou como pastor voluntário na denominação há menos de dois anos, nunca exerceu funções além da unidade de Belvedere. A instituição também se manifestou sobre a acusação de envolvimento com uma viagem realizada em uma aeronave de Vorcaro, afirmando que não se tratava de uma agenda institucional da Igreja, nem dos seus representantes.
“Nem o pastor mencionado na reportagem [Guilherme Batista], nem o deputado [Nikolas Ferreira (PL-MG)] citado são membros da Lagoinha. Importa ainda esclarecer que a alegação de que essa viagem teria relação com a instituição é falsa e já foi objeto de reportagem considerada caluniosa, razão pela qual medidas judiciais estão sendo adotadas para a devida responsabilização e correção das informações”, prosseguiu.

A nota foi uma resposta a uma reportagem publicada no jornal que ligava a Igreja da Lagoinha aos “lados mais obscuros das investigações” sobre Vorcaro. A matéria mencionava não apenas Zettel, mas também a amizade entre o pastor André Valadão e o banqueiro.
A igreja ainda alega que as relações entre os membros da igreja e investigados do banco são apenas “pessoais”. “Relações pessoais entre famílias que convivem há décadas em Belo Horizonte não configuram, por si só, qualquer irregularidade ou vínculo institucional com os fatos investigados”, prossegue.
Na nota, a Lagoinha ainda reclamou de “ser associada a eventuais condutas individuais ou relações pessoais que não dizem respeito à sua atuação institucional” e afirmou que “não há qualquer investigação, acusação formal ou elemento apresentado pelas autoridades que relacione a Igreja Batista da Lagoinha às investigações envolvendo o Banco Master”.
“A Igreja Batista da Lagoinha permanece à disposição das autoridades competentes para qualquer esclarecimento que se faça necessário. Ao mesmo tempo, lamenta que associações e interpretações não comprovadas possam contribuir para a construção de narrativas que não refletem a realidade dos fatos e que acabam por atingir indevidamente a reputação de uma comunidade de fé que, há décadas, atua de forma pública, transparente e comprometida com a sociedade”, completou.