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ACM Neto confirma que recebeu R$ 3,6 milhões do Master e da Reag

ACM Neto. Foto: Reprodução

O ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União), confirmou que sua empresa recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da gestora de recursos Reag. O valor foi registrado no relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Ao Metrópoles, o político afirmou que o montante se refere a serviços de consultoria prestados, embora as movimentações financeiras tenham ocorrido após as eleições de 2022. Os repasses foram realizados entre dezembro daquele ano e maio de 2024, e incluem uma série de transações, como os R$ 1,5 milhão recebidos da Reag e os R$ 1,3 milhão do Banco Master, totalizando R$ 2,9 milhões entre junho de 2023 e maio de 2024.

ACM Neto também recebeu R$ 4,2 milhões da sua própria empresa, A&M Consultoria LTDA, em 14 repasses durante o período. Segundo o ex-prefeito, a companhia foi criada após deixar a Prefeitura de Salvador e as consultorias envolviam análise da agenda político-econômica nacional.

Ele alegou que todos os contratos foram formais, com impostos pagos e com trabalho de consultoria efetivamente executado, especialmente em reuniões com as equipes técnicas e jurídicas das empresas contratantes.

O Coaf chamou a atenção para o fato de que a empresa de ACM Neto movimentou recursos acima da sua capacidade financeira declarada no período de 2023 a 2024. O documento também menciona repasses de R$ 422,3 mil do Banco Master e R$ 281,5 mil da Reag em março e junho de 2023.

“Prestei serviços a alguns clientes, entre eles o Banco Master e a Reag. Isto sempre ocorreu com contratos formais, com o devido recolhimento de impostos e trabalhos de consultoria efetivamente executados, notadamente relacionados à análise da agenda político-econômica nacional, e materializados em diversas reuniões com o corpo técnico e jurídico dos contratantes”, disse ACM Neto.

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: Reprodução

Ele disse estar “totalmente seguro em relação a estes fatos, haja vista não existir nada de errado”. ““De todo modo, não posso deixar de registrar o estranhamento que causa o vazamento seletivo e fragmentado de um documento que condensa informações protegidas por sigilo bancário e fiscal, ao qual não tive acesso e estou tendo notícia da existência pela imprensa, razão pela qual sequer posso fazer algum juízo acerca da conformidade e legalidade desse documento”, prosseguiu.

A Reag, fundada em 2012, está sendo investigada pela Polícia Federal por suspeitas de fraudes no sistema financeiro. A investigação alega que a empresa inflou resultados, ocultou riscos e realizou movimentações atípicas, além de estar envolvida em esquemas de lavagem de dinheiro.

O ex-presidente da Reag, João Carlos Mansur, também é um dos alvos da investigação. Durante um depoimento à CPI do Crime Organizado, ele se manteve em silêncio.