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Justiça aprova recuperação extrajudicial do Pão de Açúcar

Mercado do Pão de Açúcar. Foto: Divulgação

A Justiça paulista aceitou o pedido de recuperação extrajudicial do GPA (Grupo Pão de Açúcar), uma das maiores redes de supermercados do Brasil, responsável pelas marcas Pão de Açúcar, Extra, entre outras. O comunicado foi feito pela própria empresa nesta quarta-feira (11).

“O Juízo da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo deferiu o processamento da recuperação extrajudicial da Companhia”, disse o vice-presidente de finanças e diretor de relações com investidores, Pedro Vieira Lima de Albuquerque, em comunicado.

O plano de recuperação foi formalizado entre o GPA e seus principais credores, com a participação de 46% dos titulares dos créditos afetados, correspondendo a R$ 2,1 bilhões. O valor mínimo necessário para a aprovação do plano era de 33,3%.

A recuperação extrajudicial permite que a empresa siga negociando com seus credores por mais 90 dias, período considerado essencial para a estabilidade financeira do grupo. Em comunicado, o vice-presidente de finanças, Pedro Vieira Lima de Albuquerque, afirmou que o GPA acredita que conseguirá o apoio da maioria dos credores durante esse período.

Ao contrário da recuperação judicial, que é supervisionada diretamente pelo Judiciário, a recuperação extrajudicial ocorre de forma mais privada e direta entre a empresa e seus credores. Esse modelo tem como objetivo melhorar o perfil do endividamento do GPA, ao mesmo tempo em que mantém o relacionamento com fornecedores e parceiros comerciais intacto.

“O plano representa um passo importante para o objetivo da administração de fortalecer o balanço, melhorar o perfil do endividamento e posicionar a companhia para o futuro, ao mesmo tempo que preserva o relacionamento com fornecedores e protege sua operação. O plano também reflete a manutenção de um diálogo construtivo e de bom entendimento com os seus principais credores”, disse a GPA em nota.

Prédio da GPA (Grupo Pão de Açúcar). Foto: Divulgação

A empresa garantiu que suas operações, como as lojas, seguirão normalmente e não serão impactadas pela recuperação, já que obrigações correntes, como aquelas com fornecedores e clientes, estão excluídas do montante de R$ 4,5 bilhões.

O plano de recuperação também é uma medida estratégica para a companhia fortalecer sua posição financeira e garantir sua sustentabilidade no longo prazo. A rede varejista afirmou que esse processo reflete um diálogo contínuo e construtivo com os credores, o que é fundamental para encontrar uma solução para a liquidez de curto prazo e a estabilidade financeira futura.

Além da recuperação extrajudicial, o GPA passou por uma reestruturação interna e demitiu quatro diretores. A saída dos executivos, como o diretor de operações Geraldo Monteiro e o vice-presidente comercial Joaquim Souza, faz parte de um processo de reestruturação para a empresa superar os desafios financeiros.

A companhia informou que essas mudanças ocorrerão de forma planejada, sem prejudicar as operações diárias. Em 2025, o GPA registrou um prejuízo líquido de R$ 572 milhões no quarto trimestre, o que levantou dúvidas sobre a continuidade das operações do grupo.

O presidente da empresa, Alexandre Santoro, reconheceu que a empresa estava enfrentando dificuldades. “Algo em torno de 20% a 25% das lojas têm performance aquém do que tinham no business plan ou do que imaginamos que seja o potencial”, disse ele.

Além de ser responsável pela marca Pão de Açúcar, o GPA também administra os supermercados Extra, Minuto Pão de Açúcar, Pão de Açúcar Fresh e Mini Extra. As marcas Qualitá e Stix também fazem parte do portfólio do grupo, que busca superar os desafios financeiros para garantir sua operação e crescimento no futuro.