Logo DCM
Logo DCM
Apoie o DCM

Toffoli se declara suspeito em processo sobre a CPI do Banco Master

O ministro Dias Toffoli. Foto: Divulgação

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), se declarou suspeito para relatar um mandado de segurança que cobra a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar fraudes envolvendo o Banco Master e o Banco Regional de Brasília (BRB).

A decisão foi tomada nesta quarta-feira (10), e Toffoli alegou “foro íntimo” como motivo para sua suspeição e mencionou apenas um trecho do Código de Processo Civil que estabelece que “poderá o juiz declarar-se suspeito por motivo de foro íntimo, sem necessidade de declarar suas razões”.

Ele havia sido sorteado para ser o relator do mandado de segurança apresentado pelo deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). O parlamentar solicita ao STF que a Câmara dos Deputados instale uma CPI, pois o requerimento já conta com o apoio necessário, mais de um terço dos deputados.

A alegação do deputado é que o presidente da Câmara Hugo Motta, tem se omitido ao não instalar a comissão, apesar de atender todos os requisitos constitucionais. Em sua decisão, o ministro determinou que o processo fosse encaminhado à Presidência do STF para que novas providências sejam adotadas.

A falta de explicações detalhadas sobre o motivo da suspeição gerou especulações, mas ele deixou claro que essa decisão não afeta sua atuação em outros processos, como a Operação Compliance Zero, que investiga fraudes no Banco Master.

O pedido de Rollemberg ao STF alega que a instalação da CPI é uma obrigação da presidência da Câmara quando os requisitos constitucionais são cumpridos, e não uma decisão passível de ser adiada ou barrada por conveniência política.

O deputado federal Rodrigo Rollemberg. Foto: Divulgação

A ação também refuta a justificativa de uma “fila” de requerimentos de CPIs aguardando análise, lembrando que o Regimento Interno da Câmara só limita o número de comissões em funcionamento simultâneo, e atualmente não há nenhuma em atividade.

Em seu requerimento, Rollemberg destaca a gravidade das acusações, que envolvem prejuízos bilionários a fundos de pensão públicos e potenciais riscos à estabilidade do sistema financeiro nacional. Ele cita que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou o caso como “possivelmente a maior fraude bancária da história do Brasil”, com perdas estimadas em R$ 55 bilhões.

Este é apenas o mais um capítulo do envolvimento de Toffoli com o Banco Master. Em 2025, o ministro foi relator de processos relacionados ao banco, mas em fevereiro de 2026, decidiu se afastar da relatoria após a Polícia Federal avançar nas investigações.

A PF encontrou documentos no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que mencionavam o nome dele e envolviam uma empresa associada à sua família. Ele inicialmente resistiu à ideia de deixar a relatoria, mas após o crescimento das investigações, cedeu às pressões dentro do Supremo, com o intuito de evitar maiores desgastes institucionais.

Ele negou envolvimento direto em negócios relacionados ao Banco Master e afirmou que a empresa da qual é sócio, que vendeu participação em um resort no Paraná, é administrada por familiares e que ele não participa das decisões comerciais.