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Trump desconversa sobre ausência de Lula em evento com presidentes de extrema-direita

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com outros líderes em evento na Flórida
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com outros líderes em evento na Flórida – Reprodução/Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi questionado nesta quarta-feira (11), antes de embarcar no avião presidencial, sobre o motivo de não ter convidado os presidentes do Brasil, da Colômbia e do México para o evento chamado “Escudo das Américas”, reunião que contou com líderes da direita da América Latina.

Ao responder à pergunta, Trump afirmou que acredita que os líderes foram convidados e acrescentou que mantém boa relação com eles. “Eu acho que eles foram [convidados], eu me dou bem com todos eles”, declarou o presidente americano. Representantes do Brasil e dos Estados Unidos informaram que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não recebeu convite para o encontro.

Antes da realização do evento, um funcionário da Casa Branca afirmou que Trump convidou líderes “de países que trabalham próximos a nós no combate ao tráfico de drogas e outras questões”. O representante também declarou que o governo americano espera ampliar a coalizão no futuro.

A declaração do presidente ocorre enquanto o Departamento de Estado avalia classificar as facções PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas. O governo brasileiro acompanha a discussão e tenta reverter a possível decisão.

Apesar das diferenças ideológicas, Trump costuma afirmar que mantém uma relação cordial com Lula e outros presidentes de esquerda do continente. Horas antes de ordenar ataques contra o Irã, o presidente americano foi questionado sobre quando receberia Lula na Casa Branca. Na ocasião, disse apenas que “adoraria recebê-lo” e que “gosta muito” do presidente brasileiro.

Nas últimas semanas, Lula declarou em diversas ocasiões que pretende se reunir com Trump para tratar de temas ligados ao crime organizado. Em 2025, o governo brasileiro encaminhou ao Departamento de Estado uma proposta de cooperação entre os países para combater facções criminosas.

Diplomatas ouvidos pela Folha de S.Paulo informaram que a possibilidade de uma visita de Lula a Washington perdeu força após o início da guerra contra o Irã. Antes da escalada do conflito, havia expectativa de que o encontro ocorresse ainda em março, mas a agenda internacional dos Estados Unidos pode adiar ou cancelar a reunião.