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Polícia americana recebe alerta para possível ataque de drones do Irã na Califórnia

Representação em computação gráfica do drone iraniano Shahed-136. Foto: reprodução

O FBI alertou autoridades da Califórnia sobre a possibilidade de um ataque com drones lançado pelo Irã contra a costa oeste dos Estados Unidos, segundo reportagem da ABC News divulgada nesta quarta-feira (11). A informação, de acordo com a emissora, foi repassada a corpos policiais do estado como um aviso sobre uma possível retaliação iraniana em meio à escalada da guerra envolvendo Teerã, Washington e Israel.

Segundo a rede de TV, o alerta do FBI afirma que o Irã “parece pretender conduzir um ataque surpresa utilizando veículos aéreos não tripulados” à costa oeste, “especialmente contra alvos inespecíficos na Califórnia”. Ainda de acordo com o documento citado pela ABC News, os drones poderiam ser lançados a partir de uma embarcação não identificada próxima à costa dos Estados Unidos.

A emissora informou também, com base em fontes do governo, que os Estados Unidos vêm interceptando comunicações criptografadas por rádio que poderiam indicar a mobilização de agentes secretos e “células adormecidas” ligadas ao Irã em diferentes partes do mundo. A suspeita é que Teerã tenha enviado uma transmissão codificada a esses grupos, que poderiam ser acionados para atentados ou ações pontuais.

Apesar da ameaça relatada, o presidente Donald Trump afirmou nesta quarta-feira que não está preocupado com a possibilidade de ofensivas iranianas em solo estadunidense. A declaração foi dada no mesmo momento em que a tensão crescia no Golfo Pérsico, especialmente no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o comércio global de petróleo e gás natural liquefeito.

Pelo menos três navios foram atacados nesta quarta-feira (11) na região do estreito. Um porta-contêineres e dois cargueiros foram atingidos por “projéteis desconhecidos”, segundo a agência marítima britânica UKMTO, que já registrou 14 incidentes contra embarcações desde o início do conflito, em 28 de fevereiro.

Donald Trump, presidente dos EUA. Foto: Roberto Schmidt/Getty Images/AFP

Entre os navios atingidos está o porta-contêineres One Majesty, de bandeira japonesa, que sofreu danos leves a cerca de 46 quilômetros a noroeste de Ras Al Khaimah, nos Emirados Árabes Unidos.

Outro alvo foi o Star Gwyneth, graneleiro de bandeira das Ilhas Marshall, atingido a cerca de 80 quilômetros de Dubai. A tripulação está a salvo. Já um graneleiro com bandeira da Tailândia também foi atacado no Estreito de Ormuz, e três tripulantes continuavam desaparecidos até o início desta noite.

A agência AFP informou ainda que uma quarta embarcação teria sido alvejada. Em comunicado, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter disparado também contra o navio Express Rome, de bandeira da Libéria.

Mesmo com os ataques, Trump aconselhou empresas de transporte marítimo de petróleo a continuarem navegando pelo estreito. Questionado por repórteres se as embarcações deveriam seguir circulando na área, respondeu: “Deveriam”. O presidente pediu que as companhias ignorem os avisos do Irã, que ameaçou atacar qualquer navio que atravesse a rota.

As tensões também se espalharam por outros pontos do Golfo Pérsico. Houve explosões em Doha, no Catar, drones caíram perto do aeroporto de Dubai, e a Arábia Saudita afirmou ter derrubado aeronaves não tripuladas que seguiam em direção ao campo petrolífero de Shaybah.

No mesmo dia, autoridades iranianas afirmaram que Mojtaba Khamenei, novo guia supremo do país, está “são e salvo”, apesar de ter sofrido ferimentos na guerra. “Perguntei a amigos que têm contatos e me disseram que, graças a Deus, ele está são e salvo”, escreveu Yusef Pezeshkian, filho do presidente Masoud Pezeshkian e conselheiro do governo iraniano.