
O patrimônio do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, registrou um crescimento expressivo entre 2023 e 2024, segundo documentos enviados pela Receita Federal à CPMI do INSS e obtidos pelo g1. Em apenas um ano, os bens declarados por Vorcaro aumentaram 87%, passando de R$ 1,417 bilhão para R$ 2,64 bilhões, mesmo em meio a problemas financeiros enfrentados pela instituição e ao avanço de investigações da Polícia Federal sobre a gestão do banco.
Os dados constam nas declarações de Imposto de Renda apresentadas pelo empresário. Em 2023, Vorcaro informou possuir patrimônio total de R$ 1,417 bilhão. Já na declaração entregue em 2025, referente ao ano fiscal de 2024, os bens declarados somavam R$ 2,64 bilhões. Naquele período, o Banco Master já enfrentava dificuldades de liquidez e havia iniciado o monitoramento do Banco Central sobre a situação financeira da instituição.
Em novembro de 2024, Vorcaro chegou a ser convocado pelo Banco Central para tratar da situação do banco e recebeu um prazo de 180 dias para resolver problemas de liquidez e governança identificados pela autoridade monetária. Paralelamente, a Polícia Federal já investigava operações financeiras ligadas à gestão do banco.
As declarações do banqueiro mostram também mudanças na forma como ele mantinha aplicações financeiras. Em 2023, Vorcaro declarou possuir R$ 237,33 milhões em aplicações de renda fixa no próprio Banco Master. No ano seguinte, quando o Banco Central já apontava irregularidades em operações de compra de carteiras pela instituição e o empresário negociava a venda do banco a outras instituições financeiras, ele informou ter zerado essas aplicações.
Uma das operações que contribuíram para ampliar o patrimônio de Vorcaro em 2024 foi a venda da empresa Viking Participações, utilizada para administrar suas aeronaves. No início daquele ano, o capital social da empresa foi ampliado para R$ 100 milhões. Posteriormente, as cotas da companhia foram vendidas por mais de R$ 500 milhões para os fundos Astralo 95 e Stern, administrados pela gestora Reag.

A gestora também se tornou alvo de investigações. A Reag foi citada na Operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master, sob suspeita de ter participado da estruturação e administração de fundos que movimentariam recursos de forma atípica, inflariam resultados e ocultariam riscos, com indícios de fraude e lavagem de dinheiro, segundo investigadores.
A empresa também foi mencionada na operação Carbono Oculto, que apura a atuação da chamada máfia dos combustíveis e possíveis conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A gestora acabou liquidada pelo Banco Central em janeiro.
Quando considerado um período mais amplo, o crescimento patrimonial de Vorcaro é ainda mais expressivo. Em 2015, primeiro ano incluído nos dados enviados pela Receita Federal à comissão parlamentar, o banqueiro declarou possuir patrimônio de R$ 2,86 milhões. Em menos de uma década, os bens declarados saltaram para R$ 2,64 bilhões, o que representa uma multiplicação de cerca de 923 vezes.
Entre os bens declarados por Vorcaro estão propriedades imobiliárias de alto valor. O banqueiro informou a aquisição de uma fazenda em Nova Lima (MG), comprada em maio de 2025 por R$ 31 milhões. Também constam um apartamento em bairro nobre de São Paulo, adquirido entre 2021 e 2023 por R$ 56,9 milhões, além de dois apartamentos em área valorizada de Belo Horizonte comprados em 2021 por R$ 33 milhões.
Grande parte do patrimônio declarado em 2025 é composta por participações em empresas. Segundo os documentos, cerca de R$ 1,6 bilhão dos bens estão aplicados em ações. Vorcaro também declarou possuir R$ 963 mil disponíveis em contas correntes de diversos bancos e R$ 250 mil em dinheiro. Entre os bens pessoais, ele informou ainda uma coleção de relógios e obras de arte avaliada em R$ 47.283.322,51.
Apesar do crescimento patrimonial, o banqueiro também declarou dívidas significativas. Em 2024, Vorcaro informou possuir passivos que somavam R$ 920.602.000,00. A maior parte desse valor está relacionada à aquisição da DV Holding Financeira S/A, criada após uma operação envolvendo a Banvox Holding, por R$ 650 milhões.
A Banvox foi fundada em 2020 e tem como proprietário Maurício Quadrado, ex-sócio do Banco Master. Ao longo do primeiro semestre de 2024, a empresa chegou a pagar R$ 109 milhões para adquirir ações do banco. Em setembro daquele ano, porém, ocorreu uma cisão societária e Vorcaro deixou a empresa, criando a DV Holding e recomprando sua participação.
Também aparece na declaração uma dívida de R$ 100 milhões com o empresário baiano Augusto Lima, ex-CEO do Banco Master e marido da ex-ministra Flávia Arruda. O valor está relacionado à recompra de ações do banco que pertenciam a Augusto Lima.