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Líder do PT quer “CPI do Bolso Master” e responsabiliza Campos Neto e Bolsonaro

Pedro Uczai, líder do PT na Câmara. Foto: reprodução

O deputado federal Pedro Uczai (PT-SC), líder do partido na Câmara, afirmou nesta quarta-feira (11) que o escândalo bilionário envolvendo o Banco Master foi viabilizado por condições criadas durante o governo de Jair Bolsonaro (PL) e pela gestão de Roberto Campos Neto à frente do Banco Central. O parlamentar defendeu a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o caso, que passou a chamar de “Bolso Master”.

Segundo Uczai, o patrimônio da instituição financeira cresceu de forma acelerada ao longo da gestão anterior. De acordo com os dados citados pelo deputado, o banco saiu de R$ 3,7 bilhões em ativos em 2019, quando Bolsonaro assumiu a Presidência, para R$ 82 bilhões em 2024, período em que Campos Neto ainda presidia o Banco Central. Para o parlamentar, a expansão deveria ter sido acompanhada mais de perto pelo órgão regulador.

“É impossível discutir o caso Master sem questionar a atuação da autoridade monetária à época presidida por Roberto Campos Neto. A expansão do banco ocorreu integralmente durante sua gestão”, afirmou.

O líder petista comparou a atuação do Banco Central naquele período com a atual gestão da autoridade monetária, comandada por Gabriel Galípolo, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo ele, apenas após a mudança no comando do órgão é que as irregularidades passaram a ser efetivamente investigadas, o que abriu caminho para a liquidação do banco. Durante o período anterior, disse o deputado, “estendeu-se um tapete vermelho na porta da autoridade monetária para recepcionar Vorcaro”.

Jair Bolsonaro e Roberto Campos Neto. Foto: Raul Spinassé/Folhapress

No pronunciamento, Uczai detalhou o modelo utilizado pelo dono do banco, Daniel Vorcaro, para atrair investidores. Segundo ele, a estratégia se baseava na emissão de Certificados de Depósito Bancário com rendimento de 140% do CDI, uma taxa muito superior à oferecida pelo mercado financeiro.

“Qual é a engenharia que o Banco Master montou? Montou uma engenharia de CDBs, oferecendo rendimento de 140% do CDI. Nenhuma instituição financeira pagava tanto”, observou Uczai.

De acordo com o deputado, a estratégia teria atraído cerca de 1,6 milhão de investidores. Quando o Banco Central autorizou a liquidação da instituição, no ano passado, cerca de R$ 41 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) precisaram ser mobilizados para ressarcir os correntistas.

Embora o fundo seja privado, o parlamentar afirmou que ele acabou conferindo legitimidade ao esquema. Na avaliação do petista, o mecanismo deu “credibilidade para as falcatruas realizadas” por Vorcaro.

Uczai também citou nomes de políticos que, segundo ele, aparecem em episódios relacionados ao caso. Entre eles está o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que apresentou proposta para ampliar o limite de cobertura do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF após o escândalo vir à tona.

“Isso daria, se tivesse sido aprovado no Senado, R$ 160 bilhões em recursos do FGC que teriam que ser pagos a esses 1,6 milhão de investidores”, disse Uczai, lembrando que Ciro Nogueira foi ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro.

O deputado também mencionou o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), que autorizou o Banco de Brasília (BRB) a aportar R$ 12 bilhões no Banco Master. Segundo Uczai, a operação ocorreu quando a instituição já enfrentava dificuldades financeiras e representaria uma tentativa de “salvamento” por meio de um banco público. De acordo com o parlamentar, o Master teria simulado a compra de uma carteira de crédito de cerca de R$ 6 bilhões “que simplesmente não existia”, revendida posteriormente ao BRB por R$ 12 bilhões.

Outro governador citado foi Cláudio Castro (PL-RJ). Segundo Uczai, o fundo de pensão dos servidores do Rio de Janeiro teria investido R$ 1 bilhão no Banco Master, mesmo após alertas do Tribunal de Contas do Estado. A operação está sob investigação da Polícia Federal.

Ainda segundo o deputado, a PF prendeu Alessandro Carracena, ex-secretário de Esporte do governo fluminense indicado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Uczai afirmou que a indicação de Carracena teria sido feita “em conluio com o Comando Vermelho, utilizando recursos numa relação promíscua com o Banco Master”.

O parlamentar também mencionou conexões políticas no entorno da instituição. De acordo com investigações citadas por ele, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, fez doações de R$ 3 milhões para a campanha presidencial de Jair Bolsonaro e outros R$ 2 milhões para o governador Tarcísio de Freitas nas eleições de 2022.

Uczai afirmou ainda que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) utilizou a aeronave de Vorcaro durante o segundo turno da campanha presidencial daquele ano para viajar a capitais do Nordeste acompanhado de influenciadores e líderes religiosos.

Segundo o deputado, as operações do banco estariam estruturadas em fundos e ativos de baixa qualidade, além de simulações financeiras que são objeto de apurações em andamento.